Criei este Blog para minha Mãe Cigana Rainha do Oriente, sendo uma forma de homenageá-la, bem como postar assuntos atuais e de caráter edificante, lindas mensagens, poesias de luz, também aqui brindemos á amizade verdadeira e elevemos o principal em nós ou seja a essência Divina, Deus e a Espiritualidade em geral.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

O MAIOR OBSTÁCULO À ILUMINAÇÃO




Você Não É a Sua Mente

O MAIOR OBSTÁCULO À ILUMINAÇÃO

Iluminação — o que é isso?

Há mais de trinta anos que um pedinte se sentava na berma de uma estrada. Um dia, passou por ali um estranho. "Dá-me uma moedinha?" pedinchou o pobre, estendendo automaticamente o seu velho boné de basebol. "Não tenho nada para te dar", disse-lhe o estranho. Depois perguntou: "o que é isso em que estás sentado?" "nada", respondeu o pedinte. "Apenas uma caixa velha. Sento-me nela desde que me lembro." "Algum dia viste o que tem dentro?" Tornou o estranho. "Não", respondeu o pobre. "De que me serviria? Não há nada lá dentro."

"Vê o que tem dentro", insistiu o estranho. O pedinte conseguiu forçar a tampa. Com surpresa, incredulidade e exaltação, verificou que a caixa estava cheia de ouro.
Eu sou aquele estranho que não tem nada para lhe dar, mas que lhe diz para olhar para dentro. Não para dentro de uma caixa qualquer, como na parábola, mas para dentro de uma coisa ainda mais próxima: para dentro de si próprio.
"Mas eu não sou um pedinte", dirá você.

Todos aqueles que não encontraram a sua verdadeira riqueza, que é a radiosa alegria do Ser e a paz profunda e inabalável que a acompanha, são pedintes, por maior que seja a fortuna material que possuam. Esses, para terem valor, segurança ou amor, procuram fora de si vislumbres de prazer ou de realização pessoal, enquanto que dentro de si próprios possuem um tesouro que não só inclui todas aquelas coisas, mas é também infinitamente maior do que tudo o que o mundo tem para lhes oferecer.

A palavra iluminação invoca a ideia de uma realização sobre-humana, e o ego gosta de a encarar assim, mas ela não é mais do que o seu estado natural de união sentida com o Ser. É um estado de ligação com alguma coisa incomensurável e indestrutível, com uma coisa que, quase paradoxalmente, constitui a sua essência e, no entanto, é muito maior do que você. Trata-se de encontrar a sua verdadeira natureza, para além de um nome e de uma forma. A incapacidade de sentir essa ligação dá origem à ilusão da separação, tanto de si próprio como do mundo à sua volta. Você tem então a percepção de si próprio, consciente ou inconscientemente, como um fragmento isolado. Surge o medo, e o conflito interior e exterior torna-se uma norma.

Gosto da definição simples que Buda deu da iluminação: "o fim do sofrimento". Não há nada de sobre-humano nisto, não é verdade? É certo que, como definição, é muito incompleta. Apenas lhe diz o que a iluminação não é: não é sofrimento. Mas o que resta quando deixa de haver sofrimento? Buda mantém silêncio quanto a isso, e o seu silêncio significa que cada um tem de o descobrir sozinho. Ele utiliza uma definição negativa para que a mente a não possa transformar numa crença ou numa realização sobre-humana, numa meta que não possa alcançar. Apesar desta precaução, a maioria dos budistas ainda acredita que a iluminação é para Buda, não para eles, pelo menos na vida presente.

Empregou a palavra Ser. Pode explicar o que entende por isso?

O Ser é a Vida Única, eterna e sempre presente para além da diversidade de formas de vida sujeitas ao nascimento e à morte. No entanto, o Ser é ao mesmo tempo transcendente e imanente a cada forma, sendo a sua essência mais profunda, invisível e indestrutível. Significa isto que você lhe tem acesso agora sob a forma do seu Eu mais profundo, da sua verdadeira natureza. Mas não procure agarrá-lo com a sua mente. Não tente compreendê-lo. Só o poderá conhecer quando a sua mente estiver aquietada. Quando estiver presente quando a sua atenção estiver plena e intensamente no Agora, o Ser poderá ser sentido, mas nunca poderá ser compreendido mentalmente. A iluminação é recuperar o conhecimento do Ser e manter-se nesse estado de "sentir-percepção".

Quando diz Ser, refere-se a Deus? Se sim, porque não o diz?


A palavra Deus foi esvaziada do seu sentido ao longo de milhares de anos de utilização abusiva. Por vezes, eu emprego a palavra, mas faço-o com moderação. Por utilização abusiva, quero significar que há pessoas que sem nunca terem vislumbrado sequer o reino do sagrado, a vastidão infinita por trás dessa palavra, a usam com grande convicção, como se soubessem do que estão a falar. Ou então, argumentam contra ela, como se soubessem o que estão a negar. Tal utilização abusiva dá origem a crenças absurdas, asserções e ilusões egoicas, do género "O meu ou o nosso Deus é o único Deus verdadeiro, e o teu Deus é falso", ou como a famosa afirmação de Nietzsche "Deus está morto".

A palavra Deus tornou-se um conceito fechado. No momento em que a palavra é pronunciada, cria-se uma imagem mental, talvez já não a de um velho de barbas brancas, mas ainda assim uma representação mental de alguém ou de alguma coisa exterior a si e, sim, é verdade, quase inevitavelmente alguém ou alguma coisa do sexo masculino.

Nem Deus, nem Ser, nem qualquer outro termo conseguem definir ou explicar a inefável realidade por trás destas palavras, pelo que a única questão importante é saber se a palavra em questão o ajuda ou o impede de ter a experiência daquilo para que ela aponta. Será que ela aponta para além de si própria para essa realidade transcendental, ou presta-se com demasiada facilidade a não ser mais do que uma ideia na sua cabeça, uma crença, um ídolo mental?

A palavra Ser não explica nada, mas a palavra Deus também não. Ser, no entanto, tem a vantagem de ser um conceito aberto. Não reduz o invisível infinito a uma entidade finita. É impossível formar uma imagem mental da palavra. Ninguém pode reclamar a propriedade exclusiva do Ser. Trata-se da sua própria essência, e você tem-lhe acesso imediato ao sentir a sua própria presença, o entendimento de que o Eu sou é anterior a pensar "eu sou isto" ou "eu sou aquilo". Por conseguinte, da palavra Ser à experiência de Ser não vai mais do que um pequeno passo.

Qual é o maior obstáculo que se opõe a que tenhamos a experiência dessa realidade?

A identificação com a sua mente, o que faz com que o pensamento se torne compulsivo. Não ser capaz de parar de pensar é uma aflição terrível, mas nós não o compreendemos porque praticamente toda a gente sofre do mesmo mal, pelo que se considera normal. Esse barulho mental incessante impede que você encontre o reino da quietude interior que é inseparável do Ser. Cria igualmente um falso eu, obra da mente, que lança uma sombra de medo e sofrimento. Mais adiante, veremos tudo isso em pormenor.

O filósofo Descartes acreditava que tinha encontrado a verdade mais fundamental ao fazer a sua famosa afirmação: "Penso, logo existo".Na verdade, estava a dar expressão ao erro mais básico: equiparar pensar a Ser e identidade a pensamento. O pensador compulsivo, o que significa praticamente toda a gente, vive num estado de aparente separação, num mundo insensatamente complexo de problemas e conflitos contínuos, um mundo que reflete a sempre crescente fragmentação da mente. A iluminação é um estado integral, de se estar "em uníssono" e, por conseguinte, em paz. Em uníssono com a vida no seu aspecto manifestado, o mundo, assim como com o seu Eu mais profundo e a vida não manifestada – em uníssono com o Ser. A iluminação não é apenas o fim do sofrimento e do permanente conflito interior e exterior, é também o fim da temível escravidão ao pensar incessante. Que incrível é esta libertação!

A identificação com a mente cria um filtro opaco de conceitos, rótulos, imagens, palavras, críticas e definições que bloqueiam qualquer relacionamento verdadeiro. Coloca-se entre você e o seu Eu, entre você e o seu semelhante, entre você e a Natureza, entre você e Deus. É este filtro de pensamento que cria a ilusão da separação, a ilusão de que existe você e um "outro" totalmente separado. Então você esquece-se do facto essencial de que, por baixo do nível das aparências físicas e das formas separadas, você é uno com tudo o que é.

Quando digo que você se esquece, quero dizer que deixa de sentir essa unicidade como uma realidade evidente por si mesma. Poderá acreditar que talvez ela seja verdadeira, mas deixa de saber que ela é verdadeira. Uma crença poderá ser reconfortante. Contudo, é unicamente através da sua própria experiência que ela se torna libertadora.
Pensar tornou-se uma doença. A doença ocorre quando as coisas perdem o equilíbrio. Por exemplo, não há nada de errado na divisão e multiplicação das células do corpo, mas quando esse processo se perpetua à margem da totalidade do organismo, as células proliferam e surge uma doença.

Nota: A mente é um instrumento magnífico se for usada corretamente. Contudo, se for usada erradamente torna-se muito destrutiva. Falando com mais exatidão, não se trata tanto de você usar a mente erradamente – geralmente não a usa de maneira nenhuma. É ela que usa a você. É a doença. Você acredita que é a sua mente. É a ilusão. O instrumento tomou conta de você.

Não estou totalmente de acordo com você. É certo que a minha mente deambula, por vezes, como acontece com a maioria das pessoas, mas ainda assim posso decidir usar a minha mente para obter e realizar coisas, e faço-o constantemente.

Só porque você consegue resolver um problema de palavras cruzadas ou construir uma bomba atómica não quer dizer que esteja a usar a sua mente. Da mesma maneira que os cães gostam de roer ossos, também a mente gosta de se dedicar aos problemas. É por essa razão que ela resolve problemas de palavras cruzadas e constrói bombas atómicas. Você não se interessa por nenhuma dessas coisas. Deixe-me fazer-lhe uma pergunta: pode libertar-se da sua mente sempre que o deseje? Já descobriu o botão que a "desliga"?

Quer dizer, parar de pensar totalmente? Não, não posso, salvo talvez por alguns breves instantes.

Então a mente está a usá-lo. Inconscientemente identificado com ela, você nem sequer sabe que é escravo dela. É quase como se estivesse possuído sem o saber, e por isso julga que a entidade possessora é você próprio. O começo da libertação é a compreensão de que você não é a entidade possessora – o pensador. Saber isso permitir-lhe-á observar a entidade. No momento em que começar a observar o pensador, é ativado um nível mais elevado de consciência. Depois começará a compreender que existe um vasto reino de inteligência para além do pensamento, que o pensamento é meramente um pequeno aspecto dessa inteligência. Também compreenderá que todas as coisas que realmente contam – beleza, amor, criatividade, alegria, paz interior – têm origem para além da mente.

Você começará a despertar.

Trecho do livro O Poder do Agora de Echkhart Tolle