Criei este Blog para minha Mãe Cigana Rainha do Oriente, sendo uma forma de homenageá-la, bem como postar assuntos atuais e de caráter edificante, lindas mensagens, poesias de luz, também aqui brindemos á amizade verdadeira e elevemos o principal em nós ou seja a essência Divina, Deus e a Espiritualidade em geral.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

COMO GARANTIR QUE NOSSAS VIDAS FIQUEM EM PAZ, MESMO QUANDO O MUNDO LÁ FORA NÃO ESTÁ?





Família

Pergunta: Como podemos garantir que nossas vidas em casa fiquem em paz, mesmo quando o mundo lá fora não está?

Thich Nhat Hanh: Em cada casa deve haver uma sala, você pode chamá-la de sala de respiração, sala de meditação ou a ilha de paz. Muitos de nós não tem espaço extra ou um quarto adicional que podemos usar apenas para isso. Nesse caso, até mesmo um pequeno canto de um quarto pode funcionar como uma ilha pacífica. A qualquer tempo os membros da família que não se sentirem seguros, estáveis ou fortes, podem se refugiar nesta ilha de paz. Ela não precisa ser muito grande e não precisa de muitos móveis; apenas algumas almofadas, um sino e uma flor. A flor representa a frescura, beleza e esperança.

Toda vez que estiver perturbado por sua raiva ou frustração, mesmo sendo uma criança, você tem o direito de se refugiar na sala. Qualquer casa civilizada deveria ter um quarto assim. Esse é um território de paz, um lugar para se refugiar na ilha de si mesmo. No momento em que esta "ilha" é estabelecida, você, e outros também, começam a lucrar com isso. Quando você entra nesse quarto, se sente em um território de paz interior.

Se os pais estão brigando e fazendo com que o seu filho sofra, a criança pode querer sair daquele lugar e ir para o canto ou quarto da respiração Ela pode entrar, convidar o sino e praticar a respiração consciente. Ela pode refugiar-se na paz que está lá. E se a criança está praticando assim, os pais podem parar de brigar um com o outro quando ouvirem a campainha e sentirem a necessidade de fazer a criança parar de sofrer. Assim, a prática de uma pessoa pode ajudar o resto da família.

Quando um dos parceiros está irritado com o outro, um deles pode ir para o quarto e praticar a respiração consciente e ouvir o sino para se acalmar. Essa prática vai inspirar o filho e inspirar o casal também. Antes de começar o dia, toda a família pode gastar alguns minutos na sala de respiração olhando um para o outro com atenção plena, felizes e desejando uns aos outros um dia feliz. Você vai ter começado bem o dia por ter se acalmado, olhado para os outros, e reconhecendo os outros como preciosos. Antes de ir dormir, você pode gastar alguns minutos ouvindo o sino e respirando juntos, como uma família.

E cada vez que a família tiver a necessidade de ouvir o outro, você pode usar o lugar para praticar o sentar atentamente e ouvir profundamente o sofrimento da família. Quando o filho se refugia nesse território, o pai não tem mais o direito de persegui-lo e chamá-lo. É algo parecido com imunidade diplomática. Quando você entrar nesse território, ninguém pode repreendê-lo ou fazer-lhe mais perguntas.

Pergunta: Como podemos criar nossos filhos a serem mais conscientes e compassivos?

Thay: Se os pais praticam a atenção plena e compaixão em suas vidas diárias, os filhos vão aprender naturalmente com eles. Não podemos dizer para uma criança fazer algo se não fizermos nós mesmos. Quando eu ando com atenção plena e respiro conscientemente, meus alunos, seguem-me, caminhando conscientemente e respirando conscientemente. Às vezes, eu devo lembrá-los suavemente, mas é natural que quando vêem um idoso praticando, eles sigam a prática. De tempos em tempos os pais podem discutir plena consciência (mindfulness) e compaixão com os seus filhos, e expressar seu desejo de que seus filhos continuem a viver em plena consciência e com mais compaixão.

Quando você usa fala amorosa, pode regar as boas sementes em seus filhos e inspirá-los a fazer o que você tem feito. Você não tem que puni-los ou culpá-los. Com a linguagem correta e seguindo a sua própria prática, seus filhos vão ver, e eles irão segui-lo.

Pergunta: Minha filha adolescente é ansiosa e facilmente perturbada. O que posso fazer para acalmar suas emoções turbulentas?

Thay: Muitos jovens não conseguem lidar com suas emoções. Eles sofrem muito. O que os pais podem fazer é ensinar a seus filhos que as emoções são como uma tempestade, pois elas vêm, ficam por um tempo, e depois seguem em frente. Se soubermos ser o nosso melhor durante estes momentos, podemos enfrentar as tempestades com mais facilidade. A prática da respiração profunda, respirando com a barriga, pode ajudá-los a lidar com emoções fortes. É bem possível ensinar sua filha a fazer isso.

Quando a vir em crise, você se senta com ela e diz: "Querida, pegue minha mão, vamos praticar inspirando e expirando? Inspirando, seu estômago está crescendo. Você vê o seu estômago subindo Expirando, seu estômago está caindo. Vamos fazer novamente: dentro, fora, subindo, descendo". Em poucos minutos, ela vai se sentir muito melhor, porque você trouxe a sua atenção e sua estabilidade para apoiá-la. Mais tarde, ela será capaz de fazer isso sozinha.

A prática não é difícil. As crianças e adolescentes podem aprender. Não devemos esperar por fortes tempestades chegar, a fim de iniciar a prática. Esta prática deve ser iniciada imediatamente. Se vocês continuarem a praticar juntos por duas ou três semanas, todos os dias, durante cinco ou dez minutos, a prática da respiração abdominal profunda, sem pensamentos, vai se tornar um hábito. E depois disso, quando a emoção estiver prestes a chegar, a criança vai saber o que fazer. Ela vai ver que ela pode facilmente sobreviver a suas emoções.

P. O meu filho adolescente e eu discutimos o tempo todo. Como posso parar essas lutas?

Thay: A primeira coisa que você pode fazer é olhar para si mesmo, para ver se você tem bastante energia de calma para ajudar a acalmá-lo quando ele está em sua presença. O problema pode não estar apenas com o filho, mas também dentro do pai. Se o pai não é pacífico, isso pode desencadear emoções negativas no filho, especialmente se houver sementes negativas plantadas nele.

No passado pode ter havido momentos em que você ficou irritado e reagiu a partir de um estado de irritação, e isso depositou essas sementes nele. Você tem que desfazer isso no momento presente. Ser amoroso e calmo e ter a capacidade de ouvir pode absorver uma grande quantidade de sofrimento. Se você puder estabelecer uma conversa para falar sobre as dificuldades dele, praticando escuta compassiva e profunda, isto irá ajudar a remover os tipos de energias que o estão fazendo sofrer. Se você tiver bondade amorosa e a energia da paz em você, mesmo sem falar, você pode influenciar uma outra pessoa e ele ou ela vai se sentir melhor só de estar com você.

Pergunta: Algumas pessoas dizem que as mães que trabalham fora de casa, não cuidam bem de seus filhos. Mas e se uma mulher fica em casa e ainda não presta muita atenção nos seus filhos? Como podemos ser pais enquanto ainda estamos fazendo outras coisas em nossa vida que requerem atenção?

Thay: Não deve haver qualquer simplificação do problema, podemos fazer as duas coisas. Se você consegue fornecer a seu filho carinho e atenção suficientes, é claro que você pode ir trabalhar. Carinho é fundamental para a comunicação e compreensão. Afeto traz amor, e o amor traz o mais profundo entendimento e entendimento mais profundo traz mais amor. Muitos pais precisam trabalhar fora de casa por razões financeiras. Muitos também gostam de trabalhar. Mas ficar em casa, cuidando dos filhos e da casa, e ser um paraíso refrescante e curativo para outras pessoas da família, também é um trabalho muito importante.

Não devemos avaliar o valor do nosso eu ou do nosso trabalho em termos de salário apenas. Nós todos temos que aprender a ser de tal forma que possamos trazer solidez, confiança, fé e alegria. Se uma mãe que fica em casa não é capaz de trazer essa qualidade ao ambiente, então ficar em casa não é uma coisa positiva. A mãe que sai para trabalhar e que chega em casa ainda refrescada, amorosa e sorridente, sabe como preservar a sua qualidade de ser. O valor da ação depende muito do valor da não-ação, ou seja, a qualidade do nosso ser.

(Do livro de Thich Nhat Hanh - "Answers from the heart” - Tradução Leonardo Dobbin)