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domingo, 21 de julho de 2013

OS CAVALEIROS TEMPLÁRIOS E A ARCA DA ALIANÇA, PARTE IV:




Os Cavaleiros Templários e a Arca da Aliança, parte 4 – Moises e Javé (Yahve)

De acordo com o Êxodo, quando Moisés se ausentara para entrar em contato com Deus no Monte Sinai, seu povo, temendo que algum mal pudesse cair sobre eles, pediu para seu representante Aarão que fizesse imagens sagradas para protegê-los. De acordo com eles, Aarão pegou jóias de ouro das pessoas e fez um ”bezerro fundido”. Na verdade, ao contrário da popular imagem de Hollywood, não foi um bezerro que eles fizeram, mas foram muitos, quando outros passaram a seguir a idéia de Aarão. Aarão afirmou que esses bezerros eram “teu deus, ó Israel, que te tirou da terra do Egito” (Ex 32:4).

Thoth3126@gmail.com


Capítulo IV do livro: Os Cavaleiros Templários e a Arca da Aliança, a descoberta do Tesouro do Rei Salomão, de Graham Phillips, Editora Madras

http://grahamphillips.net/

“E a arca da sua aliança foi vista no seu templo; e houve relâmpagos, e vozes, e trovões, e terremotos e grande saraiva”. Livro do Apocalipse 11:19

4. Moisés e Javé

Antes que eu pudesse formar uma opinião quanto ao fato de a Arca da Aliança ser ou não um artefato histórico ou uma lenda fantástica, eu tinha que tentar responder duas últimas e cruciais perguntas. Primeiro, será que Moisés, o homem que dizem ter inspirado sua criação, de fato existiu?; e segundo, será que a religião hebraica, da qual dizem que ela era a relíquia mais sagrada, de fato existiu no tempo que o Êxodo parece ter ocorrido? Se a resposta a essas perguntas, principalmente a segunda, fossem negativas, seria então pouco provável que a Arca fosse real. Ela não teria tido nenhum propósito. Seria o mesmo que o Vaticano existir sem Jesus ou a Igreja Cristã que ele fundou.


Moises “abre” o Mar Vermelho.

De acordo com a Bíblia, Moisés foi o primeiro profeta a revelar as leis sagradas de Deus para a religião hebraica enquanto os israelitas vagaram pelo deserto por quarenta anos após sua fuga da prisão no Egito. Com isso, ele foi o fundador do que se tornou o Judaísmo. A maioria dos arqueólogos e historiadores, porém, consideram Moisés como o fundador imaginário de uma religião que se desenvolveu com o passar do tempo. Eles não apenas duvidam de que Moisés foi uma figura histórica, mas também questionam, com seriedade, se uma religião israelita organizada poderia ter sido iniciada há tanto tempo assim. Eles estavam certos? Eu precisei refletir sobre tudo que aprendera a respeito de Moisés.

De acordo com o livro do Êxodo do Antigo Testamento, Moisés nasceu no
Egito em uma família de escravos israelitas. Durante uma expurgação, quando o faraó ordenou a terrível chacina de bebês israelitas, a mãe de Moisés salvou seu infante colocando-o em uma pequena arca feita de papiros e escondendo-a nos juncos que crescem ao longo da orla do Rio Nilo. A filha do faraó encontrou o bebê Moisés e, simpatizante com o empenho dos israelitas, adotou-o como seu neto. De acordo com Êxodo 2:14, Moisés chega a tornar-se um príncipe egípcio. A razão pela qual muitos historiadores duvidam de que Moisés foi uma figura histórica se dá pelo fato de acreditarem que uma pessoa da realeza deveria apresentar menções em registros egípcios. Embora seja verdade que registros diários possam ter sido destruídos, por estarem escritos em papiros, milhares de inscrições de monumentos e tumbas ao longo de toda a história do antigo Egito ainda existem para revelar os nomes dos reis e príncipes egípcios. Entre eles, não há registro algum de um Moisés durante o reinado de Amenhotep III — ou sequer de nenhum faraó egípcio de tempo
algum.

O nome Moisés, entretanto, pode ser ilusório. Pode não ter sido o nome
verdadeiro do homem. As traduções modernas do Antigo Testamento pegaram o nome Moisés da tradução grega da Bíblia, onde aparece como Mosis. Esse, por sua vez, foi tirado dos livros do Tanak dos hebreus, onde aparece em sua forma original como Mose. Êxodo 2:10 nos diz que a filha do faraó decidiu chamá-lo assim “porque das águas o tenho tirado.” Presumimos que o autor do Êxodo está se referindo à semelhança entre o nome Mose e a palavra hebraica masa, que significa “arrancar.” Em 1906 o historiador alemão Eduard Meyer afirmou que essa passagem foi inserida por um posterior copiador do Antigo Testamento para dar uma origem hebraica ao que era na verdade um nome egípcio.

O episódio, ele disse, não faz sentido algum no contexto da narrativa como existe hoje. Se a princesa desejasse manter a nacionalidade de Moisés em segredo da corte — o que ela deve ter feito, visto que Moisés sobreviveu à ordem do faraó de matar os bebês hebreus — ela não teria, então, dado a seu filho adotivo um nome hebraico. Um contemporâneo de Meyer, o famoso egiptólogo inglês Flinders Petrie, indicou que mose é uma palavra egípcia que significa “filho”. É um sufixo comum em muitos nomes egípcios. É encontrado, por exemplo, no nome do faraó egípcio Ahmose, um nome que quer dizer “filho da lua.”


Mapa do Antigo Egito

Em 1995, o historiador israelense David Ullian especulou que Mose pode ter sido algo mais que apenas um nome pessoal, assim como o termo Cristo — “o ungido” — mais tarde se tornou o epíteto para Jesus. Ele sugeriu que o nome pode ter sido a abreviatura do título “Filho de Deus”. Em tempos posteriores, os reis e os profetas de Judá eram geralmente descritos como os “filhos de Deus”. É possível, então, se essa personalidade de fato conduziu os israelitas à sua liberdade, que ele apareça nos registros egípcios com um outro nome. Há alguém, usando qualquer outro nome, no palácio real de Amenhotep III que se encaixe no perfil de Moisés?

Para início de conversa, é muito pouco provável que estejamos de fato procurando por um israelita adotado. A história toda das origens hebraicas de Moisés parece ter sido uma interpolação posterior no relato do Êxodo de duas razões cruciais. Primeiro, a história da arca de juncos parece ser tirada de uma lenda babilônica. Em Êxodo 2:3 lemos como a mãe de Moisés o esconde: Não podendo, porém, mais escondê-lo, tomou uma arca de juncos, e a revestiu com barro e betume; e, pondo nela o menino, a colocou nos juncos à margem do rio.


Rei Sargon I de Akkad

O autor islandês e historiador literário Magnus Magnusson, em seu livro “BC: The Archaeology of the Bible Land”, chama nossa atenção para um mito
mesopotâmico que fala do Rei Sargon I de Akkad, datado de cerca de 2.350 a.C. Ali, o rei também é colocado em um rio dentro de uma cesta de juncos quando sua mãe tenta escondê-lo. Como Moisés, ele foi encontrado e adotado por outra pessoa:

“A mãe que me trocou me concebeu, e em segredo deu à luz. Me colocou em uma cesta de juncos, com betume fechou minha tampa. Me jogou ao rio que não me cobriu”.

Segundo, e ainda mais importante, a história da adoção de Moisés fracassa a opor-se a um exame histórico detalhado. O relato do Êxodo diz que a filha do faraó adotou Moisés e que ele foi criado como um príncipe. No Egito antigo o sangue da família real era estritamente controlado e manipulado. Os faraós eram considerados deuses, e suas filhas só podiam conceber filhos com alguém da escolha do rei — quase sempre o próprio rei. Adoções estavam totalmente fora de questão. É inimaginável que uma filha do faraó tivesse a permissão de adotar um filho. Se Moisés realmente era um príncipe no palácio real egípcio, como a Bíblia diz, ele, então, muito provavelmente foi um egípcio nativo. Ainda mais interessante, há um príncipe egípcio do reinado de Amenhotep que tem muita coisa em comum com Moisés — seu nome era Príncipe Tuthmose.

Não se sabe muito a respeito de Tuthmose, mas muitas inscrições egípcias sobreviveram para nos fornecer um breve esboço de sua vida. Ele era o
filho mais velho de Amenhotep e herdeiro do trono. Quando jovem, agiu como
governador de Memphis no norte do Egito, antes de ser nomeado comandante das forças das bigas do rei e presenciar muitos trabalhos contra os etíopes.

Após uma campanha militar bem sucedida, ele voltou-se para a vida religiosa e foi escolhido o sacerdote superior no Templo do deus Ra em Heliópolis, também no norte do Egito. No vigésimo terceiro ano do reinado de Amenhotep ele, repentinamente, e por nenhuma razão aparente, deixou seu cargo de sacerdote superior e desapareceu misteriosamente. Dois anos depois, quando o reinado de Amenhotep terminou, foi seu irmão mais novo Akhenaton quem subiu ao trono. O Príncipe Tuthmose se encaixa no perfil de Moisés de várias maneiras. Primeiro, ele comandou o exército durante uma campanha etíope. O mesmo, parece, aconteceu com Moisés. Embora a Bíblia não nos fale quase nada a respeito do tempo de Moisés como um príncipe egípcio, o historiador judeu do século I, Josephus, nos oferece um capítulo inteiro acerca de suas Antiguidades Judaicas. Naquilo que parece ter sido a versão aceita dos acontecimentos há cerca de três mil anos, ficamos sabendo que o faraó indicou Moisés para ser o comandante de um exército que enviou para lutar contra os etíopes, e foi o sucesso nessa investida que o levou para seu exílio. Com ciúmes da popularidade de Moisés entre os soldados, o faraó decide ordenar sua prisão mas, avisado de antemão, Moisés deixa o país.

O relato de Josephus parece ter uma validade histórica ainda maior do que a narrativa bíblica com relação ao motivo do exílio de Moisés. No Êxodo, lemos apenas que Moisés é forçado a fugir do Egito após salvar a vida de um israelita, ao matar um cruel senhor de escravos. Na realidade, um príncipe egípcio podia dar ordens para que um administrador de escravos fosse executado quando e onde quisesse. Esse foi provavelmente um outro episódio usado para fazer de Moisés um israelita. A segunda semelhança entre Moisés e o Príncipe Tuthmose é que, por um tempo, Tuthmose foi um sacerdote superior no Templo de Ra, em Heliópolis.

Parece que o mesmo aconteceu com Moisés. De acordo com um relato encontrado por Josephus no trabalho de um historiador egípcio chamado Manetho, que escreveu no século IV a.C, uma revolta aconteceu entre os escravos semitas durante o reinado de Amonhotep III. Ainda mais interessante, dizem que a revolta aconteceu em Avaris, o mesmo lugar onde os israelitas parecem ter sido escravizados. De acordo com Manetho, Amenhotep foi aconselhado por um de seus oficiais a livrar o país dos “indesejáveis” e colocá-los para trabalhar em suas pedreiras de Avaris. Por muitos anos foram forçados a trabalhar como escravos, quando passaram a ser liderados por um sacerdote do templo do deus Ra em Heliópolis.

Evidentemente, o sacerdote abandonara os deuses do Egito e fora condenado à prisão. Ele tinha sido no passado, Manetho diz, um soldado, e durante seu cativeiro, treinou os “indesejáveis” para lutar. Quando finalmente conduziu-os em uma rebelião, milhares deles conseguiram fugir e voltar para sua terra natal. Os ”indesejáveis” não têm um nome, tampouco sua terra natal, e o sacerdote é apenas chamado deOsarseph, que significa “líder”. Josephus, porém, não tinha dúvidas de que os “indesejáveis” eram os israelitas e que Osarseph era Moisés. Se Moisés era o sacerdote que aparece na obra de Manetho, então, Tuthmose, obviamente, encaixa-se no perfil. Manetho nos diz que o sacerdote era um servo no templo de Ra em Heliópolis antes de abandonar os deuses egípcios. Essa era a exata função exercida pelo Príncipe Tuthmose antes de ele desaparecer.

A terceira semelhança entre as duas figuras é que, assim como Moisés,
Tuthmose pode ter sido mandado para o exílio. A razão para essa hipótese é que sua tumba jamais chegou a ser ocupada. O explorador italiano Giovanni Belzoni descobriu a tumba de Tuthmose no início do século XIX no Vale dos Reis do Egito, e a descoberta logo fez surgir um outro enigma. Tumbas de reis eram preparadas enquanto seus donos ainda estavam vivos; somente as decorações funerárias finais eram adicionadas após a morte. Essa tumba, porém, estava pronta, mas as ilustrações comuns que mostram o enterro e a mumificação de seu dono, não existiam. Isso significava que a tumba estava vazia não porque tivesse sido roubada, mas porque jamais chegara a ser usada. Mas, por que não?



É possível que Tuthmose tivesse mandado preparar uma outra tumba, embora isso pareça pouco provável. As tumbas eram caras, além de seus projetos demorarem anos para serem concluídos. Era comum levarem anos para remover as centenas de metros quadrados de rocha sólida para criar a sepultura e as câmaras dos tesouros em solo profundo. Somado ao seu desaparecimento repentino e inexplicável do templo de Ra, e a falta de quaisquer memoriais ou obituários, a tumba vazia indica que Tuthmose fora, de alguma forma, desonrado e executado, ou enviado para o exílio. A única maior diferença entre Tuthmose e Moisés são suas supostas idades. O Êxodo parece ter acontecido no fim do reinado de Amenhotep, quando Tuthmose não teria mais que trinta e cinco anos. De acordo com o relato do Êxodo, no entanto, foi muitos anos depois do exílio de Moisés, que ele voltou para conduzir os israelitas à liberdade, quando já teria oitenta anos de idade. E devemos ainda lembrar que precisamos considerar as idades bíblicas com um certo cuidado.

Com freqüência, lemos a respeito de pessoas que viveram mais de um século,
quando quarenta ou cinqüenta anos era considerado um bom tempo de vida.
Se o Êxodo aconteceu durante o reinado de Amenhotep III, o Príncipe
Tuthmose é o melhor candidato de todos para ser o histórico Moisés. Seu passado corresponde com o de Moisés de várias maneiras: Ele foi o comandante do exército na Etiópia, um sacerdote no templo de Ra, e foi morto ou exilado. Até seu nome é intrigante: Tuthmose quer dizer “filho de (do deus) Thoth.” Se Tuthmose tivesse abandonado os antigos deuses e decidido tirar o divino Tuth — Thoth — de seu nome, ele teria, na verdade, passado a se chamar Mose, a tradução original do nome de Moisés. Embora nada disso sejam provas absolutas de que Tuthmose era o histórico Moisés, ele, sem dúvida, se encaixa no perfil do homem e parece ter vivido no lugar certo, no tempo certo. Fica, então, claro por que os antigos israelitas podem ter precisado tramar uma história alternativa quanto às origens de Moisés. Nacionalistas israelitas teriam achado muito difícil aceitar que seu grande legislador, que estabeleceu a aliança com Deus e a guardou na Arca, fosse, na realidade, um príncipe egípcio.

Evidências de que a religião israelita já existia na mesma época do Êxodo
são ainda mais convincentes do que as que ligam Moisés a Tuthmose. Indicações de que os escravos israelitas já praticavam o monoteísmo — a religião de um só deus — durante o reinado de Amenhotep III são encontradas, de forma indireta, em fontes egípcias. Parece que idéias da religião dos hebreus influenciaram uma seita egípcia. Conhecida como Atonismo (deus ATON), essa seita adorava a uma única divindade universal e negava a existência de todos os outros deuses. A seita Atonismo parece ter surgido muito rapidamente próximo ao fim do reinado de Amenhotep, e quando seu filho, Akhenaton, subiu ao trono, por volta de 1360 a.C. O Atonismo tornara-se tão influente que o novo faraó chegou a adotá-lo como a religião oficial do Egito por um tempo. Suas práticas são tão parecidas com as da religião hebraica que comentaristas bíblicos e egiptólogos vêem uma ligação entre elas. Algumas pessoas chegaram inclusive a dizer que o Atonismo foi diretamente inspirado pela religião dos escravos israelitas, de uma forma semelhante com a qual o antigo Cristianismo inspirou a religião da Roma Imperial.

A correlação entre as duas religiões parece muito grande para ser apenas
uma coincidência. Com exceção do fato de que ambas acreditam em um único deus universal e negam a existência de todos os outros — um conceito desconhecido em todas as demais partes do mundo na época — elas ainda compartilham de uma série de outros temas especiais. Primeiro, ambas veneram um deus sem nome que é apenas referido através de títulos. Jeová, o nome de Deus conhecido pelos cristãos de hoje, é na verdade, uma tradução do grego do nome hebraico (Yhuv ou Yahweh (Javé-Jeová), que na realidade, quer dizer “o Senhor”. O Deus de Israel não tem um nome. Tampouco o deus dos Atonismo. Independentemente da reverência, no Egito, os deuses eram geralmente chamados de forma direta e por meio de seu nome. Na verdade, imaginava-se que o nome do deus invocava sua presença.

{n.T. – Jeová é uma representação aportuguesada, com perda sintática da letra h (i.e., pois advém de Jehová), do hebraico יְהֹוָה, uma vocalização do Tetragrammaton (“Tetragrama”) יהוה (YHWH), o nome próprio do Deus de Israel na Torah hebraica.

O nome יְהֹוָה (YeHoVaH) aparece cerca de 7 Mil vezes no texto original das Escrituras Hebraicas, além das 305 ocorrências da forma יֱהֹוִה (YeHoViH). O texto em latim mais antigo a utilizar uma vocalização semelhante a ‘Jeová’ data do século XIII.}


O TetragrammATON, as quatro letras do nome divino.

Entretanto, o deus dos Atonismo foi uma exceção única. O nome comum usado por egiptólogos para o deus Atonismo é “o Aton”(às vezes como Aten) No entanto, esse não era de fato o nome do deus, mas o nome do hieróglifo, ou símbolo, que o representava.

Uma transliteração direta da palavra Aton é “o que dá a vida“(LUZ). Aton não era o nome da divindade dos Atonismo; era apenas uma descrição. Seus outros títulos e formas de ser chamado são, na verdade, idênticos aos usados para o deus dos hebreus. Isso foi revelado por meio de uma descoberta acidental feita em Tebas (Luxor), a antiga capital no sul do Egito.

Nos primeiros anos de seu reinado, Akhenaton ergueu um novo templo
para o deus Aton na cidade de Karnak, em Tebas. No entanto, pouco depois de seu reinado, quando o Egito abandonou o Atonismo e voltou a usar seu panteão de deuses tradicionais, o templo foi demolido. Por acaso, muitos dos blocos esculpidos que decoravam o templo foram preservados dentro de duas gigantescas torres fechadas por portões, que haviam sido erguidas em frente ao templo próximo do deus Amun (Amon). Por volta de 1930, quando essas torres foram desmanteladas para reformas estruturais, mais de 40.000 desses blocos esculpidos foram encontrados em seu interior, tendo sido usados como aterro por mais de três mil anos.

Agora chamado de talatat de Karnak, de um trabalho árabe que significa obra de tijolos, muitos deles estão gravados com orações Atonistas (dedicadas a Aton) que apresentam semelhanças inacreditáveis com os textos hebraicos. No relato bíblico, Moisés fala com Deus, pela primeira vez, no Monte Sinai quando Ele aparece em um arbusto que, de maneira miraculosa, arde em chamas sem consumi-lo. Sem saber qual deus está falando, Moisés pede a Deus que revele seu nome, e Deus responde: “Eu sou o que sou“ (Ex 3:14). Ele era apenas Deus — o único Deus.

A palavra hebraica para “deus” era El. Ela tinha diversas formas, como por exemplo, Elyon, “o deus mais superior”, e Elohim, “deuses”, ou El Shaddai, “deus Todo- Poderoso”. A palavra Yahweh, “o Senhor,” é usada com freqüência, como em Yahweh-tsidkenu, o “Senhor das Multidões,” (A palavra hebraica tsidkenu, que traduções modernas apresentam como “multidões”, na verdade se refere a exércitos, como por exemplo os exércitos de Judá, os exércitos de Israel, ou os exércitos de anjos.) No entanto, pelo fato de os israelitas considerarem Yahweh (Javé), pessoal demais, a palavra Adonai — “meu Senhor” — foi substituída na oração.

Nas inscrições do talatat, encontramos o deus Aton sendo chamado de uma
forma quase idêntica. Uma referência bastante recordativa do “Eu sou o que sou” no episódio do arbusto em chamas: “Sois o que és, radiante e soberano sobre todas as terras”. Outros se referem ao Aton, exatamente da forma como a Bíblia o faz repetidas vezes para com Deus, como Deus Todo Poderoso e o Deus Soberano. Por exemplo: O grande Aton, deus todo poderoso, que provém o homem com seu alimento e “Ó grande Aton, deus soberano, que nos livra da escuridão”. O Aton é ainda citado como o senhor dos exércitos, assim como o deus de Israel é chamado de o Senhor das Multidões: “Vós que sois Senhor de todos os exércitos do mundo.” Com ainda mais freqüência, porém, o Aton é chamado de forma semelhante à forma como Deus é chamado de Adonai, usando a palavra Neb, a palavra egípcia para ”Senhor”.

Esses nomes não são apenas parecidos, mas também devemos observar
a forma como as duas religiões recebem suas divindades. Uma oração longa feita para o Aton sobrevive em uma série de inscrições na cidade em ruínas de Tell-el-Amarna (n.T.a antiga capital de Akhenaton, a cidade de Akhetaton-O Horizonte de Aton), na região central do Egito. Conhecida como “O Hino a Aton“, foi vista pelo egiptólogo americano James Henry Breasted, no início de 1909, apresentando uma incrível semelhança com o Salmo 104 no Antigo Testamento.{“Nota: O Hino a ATON: Tu és belíssimo sobre o horizonte, Ó radioso Aton, fonte de Vida!Quando te ergues no oriente do céu, teu esplendor abraça todas as terras.Tu és belo, tu és grande, radiante és tu.Teus raios envolvem todas as terras que criaste,Todas as terras se unem pelos raios de teu amor.Tão longe estás, mas seus raios tocam o chão;Tão alto estás, mas teus pés se movem sobre o pó.Tu és vida, por ti é que vivemos,Os olhos voltados para tua glória, até a hora em que, imenso, te recolhes…Criaste as estações para renascer todas as tuas obras.Criaste o distante céu, para nele ascender.A Terra está nas tuas mãos, como aos homens criaste.Se tu nasceres eles vivem, se te pões eles morrem. Tu és propriamente a duração da vida, e vive-se unicamente através de ti!”}



Ambas as orações descrevem em termos idênticos como Deus e o Aton são respectivamente vistos como criadores, alimentadores e responsáveis por todos os fenômenos na Terra.Uma outra correlação especial entre o Deus de Israel e o Aton é que nenhuma divindade tinha permissão de ser representada por imagens. De acordo com a Bíblia, embora os antigos israelitas tenham construído ícones que representavam os aspectos do poder de Deus, a religião israelita proscrevia a produção de efígies do próprio Deus. No Egito, uma efígie ou estátua de um deus era, tradicionalmente, uma parte essencial da prática dos rituais.

Os egípcios acreditavam que as divindades, na realidade, habitavam nessas imagens e suas construções ficaram descritas em textos antigos. Em todo o Egito, somente o Atonismo se divergia dessa prática. Os Atonistas proibiam a produção de quaisquer ídolos e efígies do Aton. De acordo com um dos talatats, “Nenhuma forma em toda a Terra deverá refletir vossa glória”.


Menorah, o candelabro sagrado de sete(representando os Chakras) velas, para representar a luz e a presença de Deus no templo (o corpo humano, o “templo” que Deus habita).

Ambas as religiões conseguiram superar os problemas que essa doutrina
criou ao usar um símbolo para representar a presença da divindade. Quando finalmente se estabeleceram em Canaã, os israelitas usavam o Menorah, umcandelabro sagrado de sete velas, para representar a luz e a presença de Deus no templo. A prática ainda sobrevive nas sinagogas e nos lares dos judeus da atualidade. Conforme mencionado anteriormente, os atonistas também usavam um símbolo de luz para representar o Aton. Era um hieróglifo: um disco com braços que se estendia para baixo chegando às mãos que seguravam um ankh, o símbolo da vida.

Ele na verdade mostrava o sol com seus raios trazendo luz como fonte de vida para a Terra. Antigos egiptólogos chegaram à conclusão de que isso provava a adoração do sol. No entanto, conforme outras descobertas arqueológicas eram feitas durante o século XX, ficou claro que o hieróglifo representava a luz (“invisível”) do sol e não o sol em si. (O sol era na verdade retratado como um disco com asas.) O Atonismo proibia a representação de seu deus de qualquer forma. Fica claro nos dias de hoje que o brilho do sol — que traz calor, luz e vida, e que contudo, não pode ser propriamente visto — era a forma por meio da qual a seita transmitia a idéia de um deus invisível, onipresente e provedor.


Um símbolo do poder de ATON, o disco solar como um símbolo de luz para representar ATON. Era um hieróglifo: um disco com braços que se estendia para baixo chegando às mãos que seguravam um Ankh, o símbolo da vida que representa o espírito doador e imanente da vida doada pelos raios invisíveis do sol.

A única exceção que os atenistas faziam quanto à proibição contra a produção de imagens é exatamente a mesma exceção que os antigos israelitas parecem ter estabelecido: a imagem de um touro sagrado. Mesmo depois de Akhenaton abandonar todas as divindades tradicionais e tudo o que estava associado a elas, deu instruções específicas para que o touro de Mnevis, um animal sagrado ao deus sol Ra, fosse trazido para sua nova capital em Akhetaton (Tell-el-Amarna) e que fosse enterrado em uma tumba especial nas montanhas da região. O touro de Mnevis, ou Nemur, era um animal vivo venerado no templo de Heliópolis que, quando morto, era enterrado com grandes pompas e cerimônias, e substituído por um novo touro encontrado na floresta, de acordo com presságios recebidos. Uma série de figuras, do tamanho de uma mão, desses touros, feitas em pedras e em bronze, foram descobertas nas ruínas de Tell-el-Amarna-Akhetaton. Os antigos israelitas também continuaram a venerar um touro sagrado, para a perturbação de Moisés, como pode ser visto na história bíblica do bezerro de ouro.

De acordo com o Êxodo, quando Moisés se ausentara para entrar em contato com Deus no Monte Sinai, seu povo, temendo que algum mal pudesse cair sobre eles, pediu para seu representante Aarão que fizesse imagens sagradas para protegê-los. De acordo com eles, Aarão pegou jóias de ouro das pessoas e fez um ”bezerro fundido”. Na verdade, ao contrário da popular imagem de Hollywood, não foi um bezerro que eles fizeram, mas muitos, quando outros passaram a seguir a idéia de Aarão. Aarão afirmou que esses bezerros eram “teu deus, ó Israel, que te tirou da terra do Egito” (Ex 32:4). Além disso, eles, tampouco, parecem ter sido representações de tamanho real. Não sabemos qual era seu tamanho exato, mas a inferência é de que, como as efígies do touro dos egípcios, são pequenos o suficiente para caber na palma de uma mão. Quando as pessoas deram a Aarão seu ouro para que ele fizesse o ídolo, “E ele os tomou das suas mãos, e trabalhou o ouro com um buril” (Ex 32:4).


O “BEZERRO DE OURO” hoje é adorado no maior centro (controlado por banqueiros judeus) financeiro do mundo, em Wall Street, onde se encontra a bolsa de valores de Nova Iorque e onde existe a estátua de um touro – o charging bull, também chamado touro de Wall Street, escultura realizada pelo artista siciliano Arturo Di Modica (1941) e colocada junto ao Bowling Green Park, nas proximidades da bolsa de Nova York, em Wall Street.

Moisés pode ter sido contra a prática da adoração do touro, mas parece
que ela ainda durou mais oito séculos (n.T. ou até os dias de hoje, pois a figura do Touro representa o mundo material, da forma humana e suas sensações). O livro de Jeremias do Antigo Testamento trata de acontecimentos que se desenrolaram imediatamente antes da invasão babilônica de Judá em 597 a.C, e nele há referências a doze estátuas de touro de bronze, na verdade, enfeitando o templo de Jerusalém. De acordo com Jeremias 52:20, quando os babilônios saquearam o Templo, fugiram com os “doze bois de bronze” que ficavam na base dos pilares do Templo. No âmbito lingüístico, o livro de Jeremias é datado de cerca de 550 a.C. — próximo o suficiente do ataque ao Templo que não deixa dúvidas de que esse detalhe tenha sido inventado. Se o próprio autor não tivesse testemunhado o acontecimento, muitas pessoas, ainda vivas na época, o teriam. Não há muitas dúvidas, no entanto, de que a veneração de efígies de touros ou bois foi uma parte da antiga religião dos hebreus. Que os antigos israelitas veneravam esses ídolos é um fato também sustentado por evidências arqueológicas. Uma série de efígies do tamanho de uma mão foram encontradas em antigos locais por toda as cidades de Israel e na Palestina.

Talvez a mais interessante de todas seja a de um touro de bronze, com cerca de
vinte centímetros de comprimento, encontrada no campo de Shechem (SICHEM), e hoje propriedade do arqueólogo israelense Amihay Mazor, da Universidade Hebraica, em Jerusalém. Ela é datada do século XX a.C, um tempo muito anterior ao período de Moisés e, conseqüentemente, um tempo quando a fé dos hebreus foi totalmente estabelecida. De acordo com o Antigo Testamento, Shechem era um dos lugares sagrados na antiga Israel. O touro de bronze, vindo desse local tão respeitado, é uma óbvia evidência da contínua veneração do touro, certamente por alguns israelitas, muito tempo após terem invadido Canaã. De todas as centenas de práticas religiosas que existiam no mundo, ambas as religiões, a Atenista e a Hebraica, aparentemente, devem ter mantido um costume pagão antigo que é exatamente o mesmo, e isso é mais do que uma simples coincidência.

Talvez a prova mais convincente de que o Atenismo e a religião dos
israelitas estavam relacionadas, tenha vindo com a surpreendente descoberta
arqueológica feita em 1989. Naquele ano, o arqueólogo francês Alain Zivie descobriu uma tumba de pedra em Sakkara, próximo ao Cairo. Inacreditavelmente, o homem enterrado na tumba era um sacerdote tanto do Deus Aton, quanto do Deus dos hebreus. Inscrições revelaram que a múmia fora um importante oficial egípcio do reinado de Akhenaton, chamado Aper-el. Na verdade, ele era uma das figuras mais importantes do governo de Akhenaton. Era um grande vizir, o ministro chefe do norte do Egito. Surpreendentemente, o teste de DNA revelou que Aper-el não era um nativo egípcio, mas sim um semita, o que, por si só, já teria sido algo estranho o suficiente.

Ainda mais impressionante, porém, ele parece ter sido um israelita. Seu nome, AperEl, Alain Zivie concluiu com surpresa, parecia ser um título. Traduzido, ele literalmente significa “Servidor de (do deus) El.” El, naturalmente, era a palavra hebraica para Deus. Seu nome obviamente implicava que Aper-el foi um praticante fervoroso da religião israelita durante o reinado de Akhenaton. A descoberta mais instigante, porém, foi a das ilustrações da tumba que revelavam que Aper-el também era o sacerdote superior do templo atenista na cidade de Memphis. Aqui não apenas temos provas de uma ligação compartilhada entre a religião hebraica e o Atenismo, mas também um exemplo de alguém que parece ter sido um sacerdote de ambas as religiões que não via nenhuma contradição. A única conclusão que pode ser tirada é a de que as religiões dos israelitas e dos atenistas estavam muito intimamente relacionadas.

Temos somente os livros do Antigo Testamento como prova da religião
dos hebreus no período do ano de 1300 a.C. — livros que não foram escritos até muitos séculos depois. Entretanto, o que se sabe do Atenismo está baseado em descobertas contemporâneas. Isso não nos faz ter dúvidas de que uma religião, de muitas maneiras idêntica à religião dos hebreus, existiu por um pequeno tempo no Egito exatamente na mesma época em que Moisés parece ter vivido e que o Êxodo parece ter acontecido. Na verdade, nenhum outro povo, em nenhuma parte do mundo, ficou conhecido por ter estabelecido uma religião monoteísta antes, e não o faria — com exceção dos israelitas — por outros mil anos. Parece pouco provável, portanto, que as duas religiões não estivessem relacionadas. Se o Atenismo surgiu da religião dos israelitas, ou se o contrário, jamais ficaremos sabendo. O que foi muito importante para minhas pesquisas, foi que havia grandes evidências de que a religião hebraica, de uma forma ou de outra, de fato existiu no tempo que dizem que a Arca da Aliança foi construída. Havia, porém, não apenas provas de fontes egípcias do antigo monoteísmo por volta da época que a história do Êxodo aconteceu; havia também evidências de um recipiente sagrado quase idêntico à Arca.

No Egito, acreditava-se que a presença de um deus residia dentro de uma
imagem feita com detalhes, geralmente uma estátua ou uma estatueta. Durante o reino de Amenhotep III, uma estátua da principal divindade egípcia, Amun, ficava em um canto escuro de um lugar sagrado no templo de Karnak. Assim como a câmara onde a Arca da Aliança mais tarde ficou no Templo de Jerusalém, esse lugar sagrado era chamado de Sagrado dos Sagrados (Sanctun Santorun). De alguma forma que hoje não entendemos, acreditava-se que nesse local sagrado do templo a divindade (ou um seu mensageiro) revelava suas instruções ao sacerdócio.

Somente em ocasiões especiais a estátua era tirada de seu lugar, e era então
carregada em um recipiente sagrado que, como a Arca, era feito de madeira
dourada e transportada com varas inseridas em seus arcos de ambos os lados. Uma outra semelhança entre esse recipiente sagrado e a Arca da Aliança, é seu nome. Uma inscrição em um cenário que mostra a estátua do deus sendo carregada neste recipiente no relevo de uma parede no templo de Medinet Habu em Tebas, diz: “O divino Amun é transportado na Barca sagrada.”

As palavras arca e barca têm uma origem comum na palavra Ak, um
termo egípcio que significa um recipiente ou vaso sagrado. A palavra seguiu seu caminho até o latim onde se transformou em barca, um barco real. Com o tempo, essa palavra romana ganhou um uso comum como a palavra usada para qualquer barco pequeno; no inglês moderno a palavra é barge, que também significa barca. A palavra original Ak, porém, não apenas se referia a um objeto inanimado; ela também podia ser aplicada a uma pessoa por intermédio da qual deus falava, como no título do faraó egípcio Akhenaton que significava “vaso de Aton.”(como Jesus foi o “VASO” do Cristo) Portanto, a palavra egípcia Barca e a hebraica Arca eram ambas recipientes que guardavam seus respectivos deuses ou algo que canalizava o poder das divindades.

Sabemos que a antiga religião dos hebreus teria sido influenciada pelas
práticas religiosas no Egito, porque foi ali que os israelitas viveram por cerca de quatrocentos anos antes do Êxodo. Embora nenhuma de minhas investigações de fato prove que a Arca da Aliança existiu, elas, sem dúvida, colocam a relíquia bíblica dentro de um contexto histórico realista. Como um povo forçado a levar uma existência nômade no Deserto de Sinai por muitos anos após sua fuga do Egito, é perfeitamente compreensível que os israelitas tenham criado a sua própria versão de uma barca egípcia. Isso fazia com que pudessem transportar suas posses mais sagradas, em particular o enigmático item por meio do qual dizem que Deus se manifestava — ou seja, o misterioso propiciatório, ou trono de Deus.



Assim como a estátua egípcia do principal deus Amun, o propiciatório de
alguma forma revelava as instruções de Deus. O termo propiciatório é uma tradução do inglês da palavra mercy seat que tem origem hebraica nas palavras kiseh chesed, sendo que a palavra que significa mercy, chesed, também quer dizer sabedoria, e a palavra que significa seat, kiseh, também quer dizer um lugar de julgamento, como o ”assento” de poder de um rei. Em 1 Crônicas 28:11, a sala do trono do Rei Salomão também é mencionada pelo termo propiciatório. Parece, portanto, que não se tratava necessariamente de uma cadeira, mas um lugar de onde a sabedoria era distribuída, julgamentos feitos e o poder exercido. A palavra equivalente do inglês mais próxima é na verdade oracle (oráculo). Como a tradição dos hebreus proibia a criação de imagens de Deus, este oráculo provavelmente não era uma estátua ou uma estatueta. O livro do Êxodo nos dá a única descrição do propiciatório: “Fez também o propiciatório de ouro puro; o seu comprimento era de dois covados e meio, e a sua largura de um covado e meio” (Ex 37:6)

Essas informações não são suficientes, mas ao julgarmos pelo fato de
que as dimensões dadas são as mesmas da Arca, parece que essa era a sua
tampa. Seja o que for, o propiciatório era o oráculo de Deus, assim como a estátua de Amun era o oráculo da principal divindade egípcia. Uma barca dourada portátil que transportava um oráculo do deus egípcio, e uma arca dourada portátil que carregava um oráculo do Deus dos hebreus — certamente uma deve ter inspirado a outra. Portanto, havia evidências históricas de uma personalidade correspondente, ao perfil de Moisés, havia provas arqueológicas da existência da religião dos hebreus e a Arca se encaixava em um contexto histórico. Eu estava agora em posição de iniciar uma investigação teórica a respeito de uma realidade histórica da relíquia perdida.

Fim do capítulo.Capítulos anteriores em: http://thoth3126.com.br/os-cavaleiros-templarios-e-a-arca-da-alianca-parte-1/http://thoth3126.com.br/os-cavaleiros-templarios-e-a-arca-da-alianca-parte-2/http://thoth3126.com.br/os-cavaleiros-templarios-e-a-arca-da-alianca-parte-3/



Mais informações sobre a Ordem dos Cavaleiros Templários: http://thoth3126.com.br/category/templarios/

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OS CAVALEIROS TEMPLÁRIOS E A ARCA DA ALIANÇA, PARTE III:




Os Cavaleiros Templários e a Arca da Aliança, parte 3

De acordo com a Bíblia, o homem divinamente inspirado a construir a Arca da Aliança foi Moisés, o profeta que conduziu os israelitas durante sua fuga da escravidão no Egito. Antes de dar início a qualquer pesquisa em busca de pistas das origens, ou ate mesmo da existência da Arca nesse período, eu precisava averiguar não somente “quando”, mas também “se” os acontecimentos do Êxodo de fato ocorreram.

Thoth3126@gmail.com

Capítulo III do livro: Os Cavaleiros Templários e a Arca da Aliança, a descoberta do Tesouro do Rei Salomão, de Graham Phillips, Editora Madras

http://grahamphillips.net/

3. O Fogo do Inferno
O principal problema de qualquer historiador é com relação ao período no qual os eventos se desenrolam, o que é bastante difícil de ser determinado a partir de evidências do Antigo Testamento, e comprovações textuais e arqueológicas a respeito de Moisés ou da existência dos hebreus e israelitas nesse tempo antigo, ainda permanecem evasivas. Tudo que sabemos da Bíblia é que os israelitas se assentaram no Egito, em uma região chamada Goshen, ao nordeste do Rio Nilo, aproximadamente quatrocentos anos antes do tempo do Êxodo. Por gerações, viveram em paz com os egípcios até que um faraó sem nome os escravizou. Cerca de uma geração e meia depois — durante o tempo de um outro faraó sem nome — dizem que os eventos do Êxodo aconteceram. Então, quando foi que isso de fato se passou?

Historicamente, os israelitas faziam parte de um grupo de povos chamados de Semitas, que tiveram sua origem em Canaã há mais ou menos quatro mil anos. Tanto a arqueologia, quanto registros dos egípcios mostram que grandes números de semitas de fato estabeleceram-se ao nordeste do Egito por muitos séculos até aproximadamente 1500 a.C, quando os egípcios se envolveram em uma série de campanhas contra os semitas em Canaã. Nessa época, o faraó Tuthmosis III considerava os semitas que tinham ficado no Egito como inimigos estrangeiros e muitos deles foram escravizados e recrutados para desempenhar trabalhos braçais.



Não há nenhuma referência específica dos israelitas nos registros dos egípcios, mas há diversas referências nesse período com relação a um grupo de trabalhadores estrangeiros chamados de Habiru, possivelmente uma tradução egípcia da palavra Hebreu. Parece, portanto, que a prisão dos israelitas, como está descrita na Bíblia, foi uma possibilidade histórica real. Mas, e quanto ao Êxodo em si? Estudiosos bíblicos antigamente, costumavam posicionar o Êxodo durante o reinado do faraó Ramsés, o Grande porque a Bíblia se refere aos escravos israelitas sendo usados durante projetos de construção em uma cidade chamada Ramsés. A cidade, que antes era chamada de Avaris, foi reconstruída por Ramsés e ganhou seu nome por volta de 1290 a.C, por isso, à primeira vista, datar o Êxodo no período de Ramsés parece fazer sentido.

No entanto, o relato do Antigo Testamento não foi escrito até muitos séculos depois, e a Bíblia contém muitos anacronismos com nomes e lugares. De fato, o livro do Gênesis do Antigo Testamento se refere a Avaris como Ramsés cerca de quinhentos anos antes de poder ser assim chamada (Gn 47:11). Sabemos com certeza, portanto, que a cidade foi ao menos mencionada no Antigo Testamento com o nome que ganhou somente mais tarde. Esse poderia muito bem ser o caso do relato do Êxodo. Em outras palavras, o fato de a cidade onde os israelitas trabalharam ser referida como Ramsés, não necessariamente significa que os acontecimentos tenham ocorrido durante a reconstrução da cidade sob o domínio de Ramsés II.

A arqueologia nos proporcionou evidências de que a história do Êxodo na verdade aconteceu em algum tempo antes do reinado de Ramsés, o Grande. De acordo com a Bíblia, quarenta anos depois dos israelitas fugirem da prisão e deixarem o Egito, eles conquistaram a cidade de Jericó. O radiocarbono da Universidade Groningen que datava os restos orgânicos ali encontrados em 1996 mostra que a conquista dos israelitas aconteceu por volta de 1320 a.C. — próximo ao fim do reinado do faraó Amenhotep III. Amonhotep foi um rei poderoso do Egito que instigou um novo projeto de construções gigantesco em Avaris, exatamente onde a Bíblia diz que os israelitas foram forçados a trabalhar. Esse, portanto, parece ser o período de tempo que os autores do Antigo Testamento imaginaram para a história do Êxodo. No entanto, a grande questão era: há provas reais de que a história de Moisés e o Êxodo dos israelitas do Egito de fato aconteceram? Muitos historiadores consideram o evento como um mito ou uma parábola religiosa ligada à história por gerações futuras. Se isso foi realmente um mito, podemos então presumir o mesmo com relação a construção daArca.

Em um determinado momento comecei a concordar com o consenso popular de que grande parte das primeiras histórias do Antigo Testamento era na realidade mitologia — por exemplo, as pragas do fogo do céu, da escuridão que caiu durante o dia e da água se transformando em sangue, que dizem ter tornado o Êxodo algo possível de acontecer. Foi assim até que examinei as passagens bíblicas com mais afinco. Na metade dos anos de 1990, estava trabalhando em um livro que falava do mistério de 3.000 anos de idade de uma tumba egípcia. A era da história egípcia que estava investigando, incluía o período no qual a história do Êxodo parece ter acontecido. Para minha surpresa, descobri que um desastre natural aconteceu no Egito há cerca de 2.500 anos que correspondia às pragas do Êxodo como estão descritas no Antigo Testamento.

De acordo com o livro do Êxodo do Antigo Testamento, Deus falou com Moisés e lhe disse para liderar os israelitas escravizados em busca de sua liberdade. Moisés obedeceu e entrou em confronto com o faraó egípcio, exigindo que libertasse os israelitas. Quando o faraó se recusou a aceitar as exigências de Moisés, dizem que Deus castigou o Egito com uma série do que a Bíblia chama de pragas: escuridão sobre a Terra, o Nilo se transformando em sangue, terríveis tempestades de granizo, mortes dos gados, uma praga de furúnculos e infestações de sapos, piolhos, moscas e gafanhotos. À mente moderna, tudo não passa de mito e lenda. No entanto, esses acontecimentos podem ter sido o resultado de uma catástrofe natural, como a erupção vulcânica do vulcão Thera, na Ilha de Santorini) gigantesca que minha pesquisa revelou.


O sítio de Jericó (Tell es-Sultan) localizado em 1880 à noroeste do Monte das Tentações.

Primeiro veio a praga da escuridão, que pode ter sido causada como resultado de uma nuvem sólida de restos de cinzas. Uma das maiores erupções em anos recentes foi a que aconteceu no Monte Santa Helena no estado de Washington, nos EUA, em 1980. Após a erupção, o sol ficou obscurecido por horas à distância de até quinhentas milhas do vulcão, e depois da erupção ainda maior na ilha de Krakatoa próximo a Sumatra em 1883, os céus ficaram escuros em uma distância ainda maior — tudo ficou escuro como noite durante dias, por quase mil e seiscentos quilômetros de distância. De acordo com o livro do Êxodo 10:21-23: Então disse o Senhor a Moisés: Estende a tua mão para o céu, e virão trevas sobre a Terra do Egito, trevas que se apalpem. E Moisés estendeu a sua mão para o céu, e houve trevas espessas em toda a terra do Egito por três dias: Não viu um ao outro, e ninguém se levantou do seu lugar por três dias: mas todos os filhos de Israel tinham luz em suas habitações.

Se apenas uma das dez pragas foi equivalente aos efeitos de uma erupção vulcânica, já seria interessante o suficiente; o fato, no entanto, é que todas elas são correspondentes. No livro do Êxodo 9:23-26, lemos que o Egito foi afligido por uma terrível tempestade de granizo: E Moisés estendeu a sua vara para o céu, e o Senhor deu trovões e saraiva, e fogo corria pela terra; e o Senhor fez chover saraiva sobre a terra do Egito. E havia saraiva, e fogo misturado entre a saraiva, tão grave, qual nunca houve em toda a terra do Egito desde que veio a ser uma nação. E a saraiva feriu, em toda a terra do Egito, tudo quanto havia no campo, desde os homens até aos animais; também a saraiva feriu toda a erva do campo, e quebrou todas as árvores do campo.

Essa também pode ser uma descrição exata da terrível prova sofrida pelo povo na costa da Sumatra após a erupção do Krakatoa em 1883 — restos vulcânicos do tamanho de pedregulhos caindo como granizo; pedras-pomes quentes lançando fogo ao chão e destruindo árvores e casas; raios por todas as partes, gerados pela tremenda turbulência dentro da nuvem vulcânica. Mesmo depois da erupção menor do Monte Santa Helena em 1980, restos vulcânicos caíram como granizo, achatando plantações a quilômetros de distância. O relato do Êxodo de uma outra praga pode facilmente ser uma descrição dada por alguém que tenha morado no estado de Washington, Idaho e Montana, sobre os quais os restos vulcânicos foram lançados após a erupção do Monte Santa Helena: “E tornar-se-á em pó miúdo sobre toda a terra do Egito, e se tornará em sarna, que arrebente em úlceras, nos homens e no gado” (Ex 9:9).



Pó miúdo causando sarna e úlceras! Centenas de pessoas foram levadas para hospitais com feridas e brotoejas na pele após a erupção no Monte Santa Helena, em virtude da exposição aos restos ácidos e animais de fazendas morreram ou tiveram de ser sacrificados, por causa da inalação prolongada do pó vulcânico. De acordo com Êxodo 9:6, “todo o gado dos egípcios morreu.” Após a erupção do Monte Santa Helena, peixes também morreram e foram encontrados boiando sobre a superfície de centenas de quilômetros pelos rios próximos. O cheiro pungente de pedras-pomes impregnou tudo, e fornecimentos de água tiveram de ser interrompidos até que as impurezas fossem filtradas dos reservatórios. De acordo com o livro do Êxodo 7:21: E os peixes, que estavam no rio, morreram, e o rio cheirou mal, e os egípcios não podiam beber a água do rio; e houve sangue por toda a terra do Egito.


Em 18 de maio de 1980 o Mt. Santa Helena, um vulcão localizado no estado de Washington, nos EUA, explodiu. A sua erupção foi o evento vulcânico mais destrutivo da história moderna dos EUA. Cincoenta e sete pessoas e milhares de animais morreram; 250 casas, 47 pontes, 24 km de ferrovias e 298 km de estradas foram destruídos. O prejuízo financeiro está estimado em cerca de $ 2 bilhões de dólares. A coluna de fumaça gerada pela explosão atingiu 24 km de altura em menos de 15 minutos. A erupção ejetou no total 4 km³ de material, que incluiu parte do próprio topo do monte, cinzas, lava e explosões vulcânicas. A cinza emanada da erupção provocou problemas respiratórios nos habitantes num raio de até 1500 km de distância do vulcão. Houve ainda umterremoto de 5.1º na Escala Richter, que causou o desabamento de todo o lado norte da montanha, diminuindo sua altura em cerca de 400 metros e alargando-a em 2 km. Esse desabamento causou danos ambientais num raio de 550 km². No total, a erupção do vulcão Santa Helena liberou 24 megatons de energia termal, 7 dos quais diretamente no momento da explosão.

Assim como as pedras-pomes acinzentadas dos vulcões se espalhavam pelo céu, muitos vulcões, como o Krakatoa, têm uma outra toxina ainda mais corrosiva em sua composição — óxido de ferro. (Esse é o mesmo material avermelhado que cobre a superfície do planeta Marte.) Em Krakatoa, milhares de toneladas de óxido de ferro foram liberadas, matando os peixes por quilômetros. Isso certamente explicaria a referência do Êxodo quando diz que o Nilo transformou-se em sangue, quando o óxido de ferro fez com que o rio ficasse avermelhado: “e todas as águas do rio se tornaram em sangue” (Ex 7:20). As demais pragas não parecem estar ligadas diretamente à erupção vulcânica — sapos, moscas, piolhos e gafanhotos. No entanto, podem estar apenas ligadas às atividades vulcânicas assim como a própria nuvem de cinzas. Aqueles que nunca experimentaram os efeitos terríveis de uma erupção vulcânica podem imaginar que assim é que tudo termina, os mortos são enterrados, os feridos cuidados e os danos imediatos reparados, que os sobreviventes podem dar início à tarefa de retomar suas vidas, livres de futuros horrores causados pelo vulcão. Isso está muito além da dura realidade, visto que todo o ecossistema é afetado. A maior parte das formas de vida sofrem com a devastação vulcânica, porém, de maneira surpreendente, algumas são, de fato, capazes de sobreviver.

Quando os vulcões cobrem o campo com suas cinzas, invertebrados rastejantes e insetos em suas larvas crisálidas ou ovos são capazes de permanecer intactos abaixo da superfície; o mesmo que acontece com cobras, roedores e ovos de sapos, protegidos sob camadas de pedras submersas. Insetos têm um ciclo de vida curto e também são capazes de se reproduzir em uma velocidade assustadora. Depois de um cataclismo como esse, eles têm oportunidades suficientes para estabelecer um recomeço surpreendente se comparados a predadores e competidores maiores. Além disso, ao compará-los com animais maiores, eles se reproduzem em números amplos. Insetos de enxames são, portanto, comumente associados com os resultados de erupções vulcânicas. Ao sobreviverem à calamidade, as cinzas OS forçam a buscar novas habitações e fornecimentos de alimentos — e que os céus salvem quem estiver em seus caminhos!

Um ótimo exemplo são os resultados de mortes e reprodução de animais da erupção do Monte Pelee na ilha do Caribe de Martinica em 1902. Restos vulcânicos cobriram o porto próximo de Saint Pierre, matando mais de 30 mil pessoas, mas os horrores não pararam por aí. Os sobreviventes enfrentaram um episódio aterrorizante, quando enormes enxames de formigas voadoras desceram sobre as plantações de cana-de-açúcar e atacaram os trabalhadores. Enquanto as pessoas fugiam tentando salvar suas vidas, as cruéis criaturas queimavam suas peles com terríveis picadas ácidas. Não foi uma casualidade o fato do ataque dos insetos acontecer após a erupção; as criaturas já tinham atacado antes quando o Monte Pelee irrompera em 1851. Nessa ocasião, elas não só assustaram os trabalhadores e devoraram plantações inteiras, como também houve registros de terem atacado e matado indefesos bebes enquanto ainda estavam em seus berços.

O Êxodo descreve três tipos de insetos infestando o Egito: piolhos, moscas e gafanhotos. Primeiro foram os piolhos: Arão estendeu a sua mão com a sua vara, e feriu o pó da terra, e havia muitos piolhos nos homens e no gado; todo o pó da terra se tornou em piolhos em toda a terra do Egito. (Ex 8:17) E então vieram as moscas, conforme Deus instruiu Moisés para dizer ao faraó: Eis que enviarei enxames de moscas sobre ti, e sobre os teus servos, e sobre o teu povo, e às tuas casas; e as casas dos egípcios se encherão destes enxames, e também a terra em que eles estiverem… E o Senhor fez assim; e vieram grandes
enxames de moscas… E a terra foi corrompida por estes enxames de moscas. (Ex 8:21-24)

Finalmente, os gafanhotos desceram: E vieram os gafanhotos sobre toda a terra do Egito, e assentaram-se sobre lodos os leimos do Egito; tão numerosos foram que, antes destes nunca houve tantos, nem depois deles haverá. Porque cobriram a face de toda a terra, de modo que a terra se escureceu; e comeram toda a erva da terra, e todo o fruto das árvores, que deixara a saraiva; e não ficou verde algum nas árvores, nem na erva do campo, em toda a terra do Egito. (Ex 10:14-15) Os sapos são provavelmente os mais preparados de todos os invertebrados para esses cataclismos. Como os insetos, eles produzem grandes números de prole. Cada sapo põe, literalmente, milhares de ovos. Sob condições normais, essa é uma necessidade biológica, visto que os pequeninos girinos surgem dos ovos quase que completamente indefesos. Quando deixam seus ovos, os peixes próximos se preparam para um banquete e somente um ou dois dos girinos conseguem sobreviver e se tornar sapos.

A única chance que a espécie tem de sobrevivência está em seus números. No entanto, após a erupção do Monte Santa Helena, os peixes predadores foram dizimados. Os pequeninos ovos, por outro lado, sobreviveram à catástrofe. No momento de sua emersão, os materiais químicos perigosos já tinham sido levados pelas águas do rio, mas os peixes ainda não tinham voltado. O resultado foi uma praga de sapos na maior parte do estado de Washington. Aos milhares, eles se espalharam pelo campo — havia tantos deles amassados nas estradas que criavam condições perigosas aos motoristas. Eles entupiram canais de água, cobriram jardins e infestaram casas. De acordo com o livro do Êxodo 8:2-8, foi exatamente isso o que aconteceu com os antigos egípcios: (Deus disse,) Escutai, eis que ferirei com rãs todos os teus termos. E o rio criará rãs, que subirão e virão à tua casa, e ao dormitório, e sobre a tua cama, e as casas dos teus servos, e sobre o teu povo, e aos teus fornos, e às tuas amassadeiras. E as rãs subirão sobre ti, e sobre o teu povo, e sobre todos os teus servos…

E Arão estendeu tua mão com tua vara sobre as correntes, e sobre os rios, e sobre os tanques, e fez subir rãs sobre a terra do Egito. Com o passar dos anos, vários estudiosos, individualmente, atribuíram as pragas do Êxodo a diferentes fenômenos naturais. A escuridão poderia ter sido causada por uma tempestade de areia muito violenta, e o granizo poderia ser o resultado de terríveis condições do tempo. Os furúnculos ou sarna podem ter sido causados por uma epidemia, e o rio transformado em sangue pode ser o resultado de alguma atividade sísmica ocorrida no extremo sul, próximo à nascente do Nilo.

Enxames de gafanhotos, moscas e infestações de piolhos não teriam sido coisas raras de se acontecer. Entretanto, a possibilidade de tudo isso acontecer ao mesmo tempo parece algo bastante remoto. Uma erupção vulcânica, porém, explicaria todos os acontecimentos. O único problema real de atribuirmos as pragas do Êxodo a uma erupção vulcânica é que o Êxodo não as apresenta na ordem em que elas, naturalmente, teriam ocorrido. A escuridão e tempestade de fogo deveriam vir primeiro, seguidos pelas feridas, o rio ensangüentado, os gados e os peixes mortos e, algum tempo depois, os sapos e os insetos. No Êxodo, as pragas aparecem em uma ordem diferente: sangue, peixes, sapos, piolhos, moscas, morte do gado, furúnculos, granizo, gafanhotos e escuridão. No entanto, o livro do Êxodo parece ter sido escrito muitos séculos após os eventos serem relatados. A descrição das pragas pode ter sido feita de forma oral por muitas gerações, e certos detalhes teriam sido facilmente misturados.



Quando analisamos a semelhança das pragas do Egito com os terríveis efeitos de uma erupção vulcânica, vemos que esses episódios particulares do relato do Êxodo deixam de parecer tão impossíveis. No entanto, ainda resta uma grande questão. Será que realmente uma erupção vulcânica atingiu o Egito por volta do ano de 1360 a.C, quando a história do Êxodo parece ter acontecido? Em uma palavra, sim. Apesar de não existirem vulcões conhecidos no Egito em tempos geológicos recentes, um a erupção grande o suficiente para atingir o país chegou de fato a acontecer na ilha de Thera (Santorini) no Mediterrâneo, próximo ao período em questão. Thera era a ilha que ficava mais ao sul das Cidades Gregas, e no século XV a.C. abrigava um importante porto de comércio da civilização Minoana, centralizada na ilha próxima de Creta. Hoje, Thera é uma ilha com formato de meia lua chamada de Santorini, que forma uma baía de mais de dez quilômetros de largura. Os penhascos que a cercam são apoiados por camadas de restos vulcânicos e pedras que foram derretidas, comprovando o violento passado enfrentado pela ilha.

A baía em si é, na realidade, uma cratera formada pela antiga erupção, e é tão profunda que dizem que nenhuma âncora de navio é capaz de alcançar o fundo. Por volta de 1930, o arqueólogo grego, Spyridon Marinatos, foi o primeiro a dizer que, em algum momento no final da era Minoana, uma gigantesca erupção vulcânica havia assolado a ilha. Em 1956, dois geólogos, Dragoslav Ninkovich e Bruce Heezen, realizaram uma pesquisa do fundo do mar para tentar determinar, com precisão, qual tinha sido a magnitude da erupção. De seu barco de pesquisas, o Vema, foram capazes de apurar o exato tamanho da cratera vulcânica —trinta milhas quadradas — e com isso puderam estimar as incríveis proporções do evento. Há diversos tipos de erupções vulcânicas, algumas lançam rios de lava derretida, outras produzem desmoronamentos de lama quente, porém, a mais terrível e devastadora é aquela em que a pressão do magma faz com que o vulcão literalmente estoure seu pico. Com base no tamanho da cratera da ilha, foi isso que aconteceu em Thera há quase três mil anos e meio. Foi, na verdade, o tipo de erupção produzida pelo Monte Santa Helena que explodiu a lateral da montanha com a força de uma bomba de cinqüenta milhões de toneladas.


A Ilha de Santorini, com a cicatriz deixada pela explosão do vulcão Thera que eliminou a parte central da ilha.

Em um piscar de olhos, na manhã do dia 18 de maio de 1980, uma massa de material vulcânico abrasador foi espalhado com uma explosão, matando todos os seres vivos em um espaço de 150 milhas quadradas. Milhares de acres de floresta foram dizimados, e restos de materiais derretidos cobriram tudo como na superfície da lua. O que antes era uma estação de férias de turistas ansiosos a mais de quinze quilômetros de distância do vulcão do Monte Santa Helena, estava agora coberto por completo com pedras-pomes. Em poucas horas, uma nuvem de cinzas com cerca de oito quilômetros de altura, contendo bilhões de toneladas de material vulcânico, espalhou-se por um raio de oitocentos quilômetros ao leste. Em três estados — Washington, Idaho e Montana — a nuvem vulcânica sólida cobriu o céu e o dia virou noite.

Por toda a região, cinzas caíam como chuva, entupindo motores de carros, fazendo trens pararem e bloqueando estradas. Sete milhões de hectares de exuberantes fazendas pareciam um deserto cinza, e plantações de milhões de dólares foram dizimadas e destruídas. Centenas de pessoas, até a cidade de Billings em Montana, a quase mil quilômetros de distância do vulcão, foram levadas para os hospitais com os olhos irritados e as peles queimadas causados pela exposição aos restos corrosivos. Durante semanas após o acidente, peixes em centenas de quilômetros de rios foram encontrados boiando sobre a superfície, mortos pelos poluentes químicos na água.

A erupção do vulcão do Monte Santa Helena foi uma das erupções vulcânicas mais destrutivas dos últimos anos, e comparado à explosão de Thera, era algo minúsculo. Quando Ninkovich e Heezen divulgaram suas descobertas com relação à erupção de Thera, usaram a erupção de Krakatoa como comparação. Em agosto de 1883 quando o Krakatoa explodiu com uma força vinte vezes maior que a do Monte Santa Helena, a erupção foi ouvida a mais de quatro mil e quinhentos quilômetros, em Melbourne, no sul da Austrália; uma nuvem vulcânica ergueu-se a 80 quilômetros no ar, e cinzas residuais cobriram milhares de quilômetros quadrados. Mais de 36 mil pessoas morreram! Foi estimado, pelo tamanho da cratera formada, que seis milhas cúbicas de material vulcânico se espalhou pelo céu de Krakatoa — porém, a cratera do vulcão Thera é quase seis vezes maior. Sendo assim, a explosão teria sido ouvida em quase metade do mundo, restos vulcânicos teriam sido lançados a quilômetros de altura, e as cinzas teriam coberto mais de um milhão de quilômetros quadrados.



Para termos uma idéia do tamanho dessa explosão, imagine a última arma nuclear usada pela humanidade em uma guerra: a bomba atômica, que destruiu completamente metade da cidade japonesa de Nagasaki, em 1945. Foi uma explosão de 20 quilotoneladas. O Monte Santa Helena explodiu com uma força ainda maior, de 50 mil quilotoneladas; Krakatoa alcançou o incrível número de um milhão de quilotoneladas; contudo, o Thera supera todos esses números com suas 6 milhões de quilotoneladas. Seria preciso seis mil das mais destrutivas ogivas nucleares modernas — cada uma com a força de fazer desaparecer uma cidade inteira — para se igualar à magnitude explosiva de Thera. Estima-se que, comparando-se as dimensões do vulcão original com o tamanho da cratera, a fantástica quantidade desetenta milhas cúbicas de resíduos foram lançadas ao céu. Ainda mais importante, ela teria formado uma nuvem sólida que fora soprada na direção do Egito.

A pesquisa do Vema mostrou que pedras-pomes e resíduos vulcânicos da erupção de Thera cobriram o fundo do mar somente ao sudeste do vulcão, determinando que os ventos carregaram a nuvem residual exatamente na direção do Egito, a cerca de oitocentos quilômetros de distância. Ao julgarmos pelos efeitos das erupções menores do Monte Santa Helena e Krakatoa, é certo que a terra do Egito teria sofrido todos os horrores da nuvem escura. Os israelitas podem muito bem ter interpretado o acontecimento como uma intervenção divina, visto que o caos resultado pela calamidade pode ter possibilitado a fuga dos escravos hebreus do Egito, exatamente da forma que a Bíblia descreve. Portanto, parece que a história do Êxodo do Egito não foi nada irreal como se pensava. De fato, a semelhança entre os efeitos da erupção de Thera e as pragas do Êxodo é extraordinária. Sendo essa, então, a prova final de que realmente são a mesma coisa, e que os eventos aconteceriam se a erupção pudesse ser comprovada como tendo ocorrido no mesmo período que a história do Êxodo se passou — por volta de 1360 a.C.

Com o passar dos anos, o acontecimento da erupção de Thera foi datado várias vezes entre os anos de 1600 e 1300 a.C. Outras evidências científicas na busca de uma data mais precisa, porém, surgiram em 1970 com — acredite voce ou não — amostras de núcleos de gelo da Groenlândia. Todos os invernos, uma camada fresca de gelo se forma sobre a calota polar da Groenlândia, criando estratos bem definidos, um para cada ano. Toda camada contém ar preso, segurando uma amostra da atmosfera da Terra como ela era quando o gelo se formou. Na década de 70, cientistas dinamarqueses começaram a coletar amostras a muitos metros de profundidade no gelo para recuperar um registro de ano após ano das condições atmosféricas da Terra há mais de 100.000 anos. A equipe, chefiada por C. U. Clausen, H. B. Hammer e W. Dansgard, logo observou que as amostras dos anos em que houve maiores erupções vulcânicas, como a que destruiu a cidade romana de Pompéia no ano 79 d.C, comprovavam altos níveis de acidez.

No artigo da revista Nature, de novembro de 1980, a equipe relatou que houvera uma erupção forte em algum lugar do mundo por volta de 1390 a.C, com uma margem de erro de cerca de cinqüenta anos para mais ou para menos — em outras palavras, em algum tempo entre 1240 e 1340 a.C. A única erupção grande o suficiente que pode ter resultado nas condições atmosféricas registradas pelos dinamarqueses, e conhecida dos geólogos como tendo ocorrido no prazo de duzentos anos de qualquer lado desse período, foi à erupção de Thera. Isso significa que Thera pode muito bem ter entrado em erupção na mesma época que a história do Êxodo parece ter acontecido.

Todavia, alguns estudiosos ainda optaram por uma data no início do período de cem anos que a descoberta dos núcleos de gelo mostraram que a erupção aconteceu. Entretanto, evidências arqueológicas de que a erupção de fato acontecera na segunda metade desse período de cem anos (durante o século XIV a.C.) foram, na verdade, descobertas por volta de 1930, mas permaneceram guardadas nas catacumbas do Museu Arqueológico Nacional de Atenas, na Grécia, por quase setenta anos. A descoberta aconteceu na ilha de Creta. No início do século XIV a.C, Creta era o coração da civilização Minoana, uma raça de exímios construtores de navios que dominara o mar Egeu por séculos. Por meio do comércio, e não pela conquista, os minoanos tornaram-se uma das potências mais ricas de todo o Mediterrâneo. Creta fica somente a aproximadamente cem quilômetros ao sul de Thera e portanto teria sofrido os efeitos da erupção em uma escala ainda maior que o Egito.

Na verdade, evidências arqueológicas mostraram que a erupção, portanto, destruiu a infra-estrutura da civilização que foi totalmente dizimada. A tempestade de fogo de Thera pode ter devastado a vida em Creta, mas isso não foi tudo. Durante a erupção na ilha de Krakatoa em 1883, um gigantesco tsunami —uma onda marítima de cerca de trinta metros de altura produzida por movimentos submarinos causados pela erupção vulcânica— varreu 165 vilarejos na costa da Sumatra, numa área entre trinta e oitenta quilômetros do vulcão, e 35 mil pessoas morreram. Com base no evento de Krakatoa, estima-se que um tsunami semelhante teria despojado a costa de Creta após a erupção de Thera. A muralha de água teria fustigado toda a costa norte onde vivia a população, varrendo seus portos, pulverizando cidades e vilarejos. Por volta de 1930, o arqueólogo grego Spyridon Marinatos encontrou evidências dessa mesma ocorrência.

Ao escavar o terreno de Amnisos, o local da cidade costeira da capital minoana de Knossos, ele descobriu uma vila cujas paredes haviam sido deformadas de maneira curiosa. Grandes pedras perpendiculares pareciam ter sido erguidas por algum tipo de força externa brutal, indicando que tinham sido atingidas pelo remanso de uma enorme onda marítima. Parecia que a cidade do porto fora alagada por uma muralha de água que pode muito bem ter sido o resultado da erupção de Thera. Além disso, um artefato egípcio encontrado ali por Marinatos, indica, certamente, que a erupção de Thera não poderia ter acontecido até pelo menos o reinado do faraó egípcio Amenhotep III (Akhenaton), que governou entre 1385 e 1360 a.C. No início do século XVII a.C, um contato comercial íntimo existia entre os minoanos e o Egito. Peças de cerâmica egípcia aparecem com freqüência em escavações de locais minoanos datados dos três séculos seguintes, e até o século XIV a.C, as duas culturas formaram fortes laços diplomáticos.


Ilha de Santorini, local onde ficava o vulcão Thera, que ao explodir “ejetou” a parte central da ilha, hoje ocupada por água.

Um exemplo da troca de mercadorias entre as duas nações foi encontrado por Marinatos nas ruínas de Amnisos embaixo das paredes caídas da vila — os fragmentos quebrados de um jarro de alabastro egípcio. Ele está guardado no Museu Arqueológico Nacional de Atenas desde os anos 1930. No entanto, não foi até 1999 que o arqueólogo grego Kristos Vlachos examinou o artefato e notou suas implicações. Se Amnisos foi destruída na catástrofe de Thera, e se o artefato foi encontrado embaixo de seus muros caídos, a erupção não pode ter acontecido até depois do jarro ser feito. Ele estava decorado com uma inscrição hieroglífica que fazia referência ao trigésimo terceiro ano do reinado do pai de Amenhotep, Tuthmosis IV. Inscrições na tumba de Tuthmosis IV no Vale dos Reis do Egito revelam que este foi o último ano de seu reinado, o que muitos egiptólogos datam de cerca de 1400 a.C, o que significa que a erupção de Thera deve ter acontecido após essa data.

Assim, a erupção do vulcão de Thera parece ter se passado durante a última parte dos cem anos que datam as amostras dos núcleos de gelo. Isso significa que o vulcão explodiu entre 1385 e 1340 a.C, e a data do Êxodo — 1360 a.C. — cai quase no meio desse período de quarenta e cinco anos. Considerando que a história dos antigos egípcios atravessou mais de 3.500 anos, essa coincidência é bastante persuasiva de que os efeitos da erupção de Thera e as pragas do Êxodo foram as mesmas. Há, na verdade, uma última prova que data a erupção com maior exatidão, no ano de 1360 a.C. A maioria dos historiadores que duvidam da história do Êxodo como um evento histórico apontam para o fato de não haver menções históricas a seu respeito nos registros do antigo Egito. Certamente, eles dizem, acontecimentos de tamanha magnitude teriam sido registrados. No entanto, a maioria das escritas egípcias que sobreviveram são inscrições em monumentos de pedra e tumbas.

Elas são de natureza quase exclusivamente religiosa ou foram escritas para celebrar as conquistas dos faraós: batalhas vencidas, presos capturados e posses adquiridas. Registros diários que podem ter incluído referências históricas da erupção de Thera teriam sido feitos em papiros (uma antiga forma de papel) fáceis de serem destruídos, e poucos deles sobreviveram. Há, no entanto, evidências contemporâneas indiretas de que uma catástrofe sem precedentes de fato aconteceu durante o último ano do reinado de Amenhotep III, em 1360 a.C. No último ano de seu reinado, Amenhotep III ergueu literalmente centenas de estátuas em honra à deusa Sekhmet. Em Asher, logo ao sul da capital contemporânea de Tebas, Amenhotep estava no processo de reconstrução de um templo para a importante deusa Mut, quando, de repente, decidiu consagrar o templo a Sekhmet. Além disso, inscrições revelam que ele decretou que Sekhmet deveria substituir Mut como a mais importante deusa. Também ordenou que fossem erguidas centenas de estátuas da deusa.

Ele fez tantas estátuas de Sekhmet, ali e em outros lugares, que praticamente todas as coleções egiptólogas no mundo contém pelo menos um exemplar. O Museu Britânico tem o maior número delas: mais de trinta espécimes em vários estados de preservação. Centenas ainda permanecem em seu lugar de origem no Egito, a maioria no templo de Luxor, no sul do Egito. Foi calculado que havia originalmente cerca de setecentas somente ali. Na verdade, como o egiptólogo Cyril Aldred indicou em 1988, nenhuma outra divindade do Egito antigo está representada por tantas estátuas de grande escala — e quase todas elas foram erguidas por ordem de Amenhotep III. Essas estátuas de Sekhmet são uma óbvia indicação de que, apesar da aparente estabilidade e riqueza do país, algo deu errado. Sekhmet era a deusa da devastação! Por que essas estátuas monumentais da deusa existem em números tão incomparáveis jamais fora explicado com satisfação. O fato de que Amenhotep ergueu mais estátuas para ela — de longe — do que o fez para o principal deus Amon sugere que alguma coisa aconteceu que o tenha feito questionar o poder da divindade maior.



Sekhmet era apresentada como uma leoa ou uma mulher com cabeça de leão. Na mitologia egípcia, ela era a filha do deus do sol Ra e uma vez, chegou quase a aniquilar a humanidade. De acordo com o mito, ela obscurecera o sol e fizera cair fogo dos céus, e a humanidade foi salva somente com a intervenção do próprio Ra. A vingança imaginária de Sekhmet é muito parecida com a calamidade que teria sido causada pela erupção de Thera. Ao acreditar que ela fora a responsável pela catástrofe, Amenhotep pode muito bem ter erguido as estátuas na tentativa de apaziguar a deusa. Sabemos hoje, com certeza, que a erupção aconteceu por volta dos anos de 1385 e 1340 a.C, e sabemos, com certeza, que ela teria devastado o Egito. Considerando outras pistas de que a erupção aconteceu durante o reinado de Amenhotep, o fato de ele ter erguido centenas de estátuas para a deusa da devastação no ano de 1360 é uma evidência bastante reveladora de que esse foi o período exato dos acontecimentos. Eu estava convencido de que a história do Êxodo estava baseada em eventos reais e históricos que ocorreram por volta de 1360 a.C.

A história do Antigo Testamento da invasão israelita de Canaã, alguns anos depois, parecia ser igualmente histórica, assim como foi o estabelecimento do reino de Israel pelo Rei Davi três séculos depois disso. Restavam poucas dúvidas de que o cenário histórico dos acontecimentos bíblicos, nos quais a Arca tem um papel central, era verdadeiro o suficiente. Como conseqüência, temos a Arca como um artefato histórico de muito crédito. Entretanto, isso ainda não podia provar que a Arca, de fato, existiu. Precisava analisar mais a fundo o homem no coração do mistério da Arca —o próprio Moisés. Ele, de fato, existiu? Ou foi apenas uma lenda — a personificação de um sistema religioso que, na realidade, desenvolveu-se muitos anos depois? Além do mais, se ele de fato existiu, havia qualquer precedente histórico que pudesse explicar sua criação máxima, a Arca da Aliança?Partes anteriores em: http://thoth3126.com.br/os-cavaleiros-templarios-e-a-arca-da-alianca-parte-1/http://thoth3126.com.br/os-cavaleiros-templarios-e-a-arca-da-alianca-parte-2/



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OS CAVALEIROS TEMPLÁRIOS E A ARCA DA ALIANÇA, PARTE II:




Os Cavaleiros Templários e a Arca da Aliança.

Uma jornada em busca da Arca da Aliançaperdida era uma ideia instigante: um tesouro perdido de valores religioso e histórico — para não mencionar o monetário — imensuráveis, embutido de um poder fantástico. Primeiramente, no entanto, se precisava determinar se o tesouro de fato existia.

Não faria sentido procurar um artefato que fosse apenas um mito. Os incríveis acontecimentos que circundavam a Arca da Aliança certamente pareciam mitológicos. Contudo, nada indicava que o artefato em si fosse algo fictício — talvez somente os relatos do poder da Arca o fossem…

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Capítulo II do livro: Os Cavaleiros Templários e a Arca da Aliança, a descoberta do Tesouro do Rei Salomão, de Graham Phillips, Editora Madras

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2. A Arca e a Sagrada Escritura

“E a arca da sua aliança foi vista no seu templo; e houve relâmpagos, e vozes, e trovões, e terremotos e grande saraiva”. Livro do Apocalipse 11:19

… Provavelmente essas eram alegorias ou lendas religiosas adicionadas a descrições antigas que foram acontecendo com o passar do tempo. O que eu precisava determinar — ao menos para minha própria satisfação — era se havia alguma possibilidade realista de que esse fabuloso baú dourado era uma peça genuína, uma relíquia histórica que, em algum tempo, esteve no Templo de Jerusalém.

Decidi que o melhor lugar para examinar as possíveis referências históricas da Arca era na Biblioteca Nacional de Israel, na zona oeste de Jerusalém. Diferente da Cidade Velha ao redor do Templo do Monte com seus monumentos antigos, a região ocidental de Jerusalém é uma cidade moderna com prédios comercias bem projetados e condomínios residenciais imponentes. Na ala ao extremo sul da Cidade Nova fica o Vale da Cruz, que tem esse nome porque os antigos cristãos acreditavam que nesse lugar cresceu a árvore de onde tiraram a madeira para a cruz usada na crucificação de Jesus. Naquele lugar, além dos exuberantes jardins de rosas repletos de esculturas ao ar livre, fica a Biblioteca Nacional de Israel.



Após consultar apenas alguns livros, rapidamente compreendi que quase tudo o que se sabe a respeito da Arca da Aliança vem daquilo que os cristãos chamam de o Antigo Testamento da Bíblia. A Bíblia, como a conhecemos nos dias de hoje, é uma coleção de textos religiosos e históricos compilados em um único volume pela Igreja Cristã no século IV d.C. Sua origem vem da palavra grega bíblia, que significa “livros” e está dividida em duas seções: o Antigo e o Novo Testamentos. O Novo Testamento é uma coleção de manuscritos puramente cristãos, escritos da metade para o final do século I, que registram a vida e os ensinamentos de Jesus Cristo e seus imediatos sucessores. O Antigo Testamento, porém, é tirado de uma coleção muito mais antiga de manuscritos judeus conhecida como o Tanak. As primeiras cópias do Tanak variam bastante de tamanho, mas incluem vários textos separados, que são chamados de livros — que eram originalmente pergaminhos — que foram pela primeira vez compilados em uma coleção por volta de 400 a.C.

Escritos por diferentes escribas e em períodos diferentes, esses manuscritos hebraicos descrevem a história dos antigos israelitas e judeus, com ênfase em sua fé e relações com Deus. Muitos dos livros do Tanak foram traduzidos para o grego no século III a.C, e foi a partir deles e de traduções novas do hebraico que o Antigo Testamento Latino foi compilado pela Igreja Católica Romana. Essa obra, por sua vez, foi posteriormente traduzida para todos os idiomas do mundo, oferecendo-nos a Bíblia moderna. Hoje, a versão mais amplamente usada em inglês da Bíblia é a tradução de King James, que foi feita para o rei britânico James I no início do ano de 1600 e que inclui trinta e nove dos livros originais do Tanak. Por sorte, a Biblioteca Nacional tinha uma cópia no computador, por isso pude rapidamente encontrar todas as referências à Arca e ler em detalhes sua história extraordinária.

Determinar com certeza, quando muitos dos eventos descritos no Antigo Testamento aconteceram, é muito difícil por não haver datas específicas mencionadas (os autores se baseiam em pontos de referência internos para mostrar a passagem dos anos). No entanto, os acontecimentos começam com a criação do mundo e terminam com a ocupação persa de Judá, sabida por meio de outras fontes que aconteceu durante o século VI a.C. O primeiro livro do Antigo Testamento, o livro do Gênesis, explica a origem dos israelitas. A maioria dos historiadores modernos, porém, consideram seu conteúdo como algo principalmente mitológico ou de parábolas religiosas. Poucos aceitam os relatos do Gênesis como fatos históricos de como Deus criou o mundo em seis dias, como o primeiro homem e a primeira mulher foram Adão e Eva, ou como toda a Terra foi inundada no tempo de Noé.

Muitos também duvidam que toda a nação israelita descendeu de um único homem. (De acordo com o Gênesis, todas as doze tribos israelitas descenderam dos doze filhos de Jacó. O nome hebreu sagrado de Jacó era Israel — que significa “Deus salva” — e dizem que foi em sua homenagem que seus descendentes foram chamados de israelitas, ou “Filhos de Israel”.) Entretanto, o Gênesis de fato nos fornece alguns dados mais verificáveis, dizendo-nos que Jacó era um Semita, do que hoje é o norte de Israel, e que ele e seus filhos se estabeleceram no Egito em algum momento entre os anos de 1800 e 1700 a.C. Desde então, o Antigo Testamento assume uma postura mais histórica.

O segundo livro, o livro do Êxodo, relata a escravidão dos israelitas e a sua fuga do Egito. De acordo com o Êxodo, cerca de três séculos após o período de Jacó, um faraó sem nome escravizou milhares de israelitas no Egito porque temia seu número cada vez maior. Cerca de cem ou mais anos depois — algo em torno de 1400 e 1300 a.C. — o líder israelita Moisés foi inspirado por Deus a guiar seu povo para a liberdade.

Foi isso que ele fez quando o Egito começou a enfrentar uma série de tumultos com terríveis desastres e pragas que permitiram que os israelitas fugissem para o Deserto de Sinai, uma região enorme ao leste do Mar Vermelho.Essa fuga do Egito é conhecida, não coincidentemente, como o Êxodo. De acordo com o livro do Êxodo, os israelitas ficaram no Deserto de Sinai pelos quarenta anos seguintes, levando uma existência nômade enquanto Moisés revelava a eles as leis de Deus e fundava a religião hebraica. É durante esse período no deserto que dizem que a Arca foi construída.


Os Manuscritos do Mar Morto são uma coleção de centenas de textos e fragmentos de texto encontrados em cavernas de Qumran, no Mar Morto, no fim da década de 1940 e durante a década de 1950. Foram compilados por uma seita de judeus conhecida como Essênios, que viveram em Qumran do século II a.C. até aproximadamente 70 d.C.. Porções de toda a Bíblia Hebraica foram encontradas, exceto do Livro de Ester e do Livro de Neemias.

O Êxodo descreve seu desenho com detalhes consideráveis, mas o que de fato a Arca fazia não é revelado até os três livros seguintes do Antigo Testamento (Levítico, Números e Deuteronômio), que relatam todos os quarenta anos que os israelitas ficaram no deserto. Deuteronômio descreve como, depois de a Arca ser feita no Monte Sinai e as duas tábuas de pedra gravadas com os Dez Mandamentos serem colocadas dentro dela, homens da tribo israelita de Levi (os Levitas) foram escolhidos para serem seus guardiões eclesiásticos. Levítico descreve a aparição de Deus em uma nuvem sobre a Arca, e Números descreve Deus falando por meio dela e a “nuvem do Senhor” pairando acima dela para proteger os israelitas quando era carregada pelo deserto.

É em Números que a Arca é descrita pela primeira vez sendo usada como uma arma sagrada para destruir os inimigos dos israelitas. Em Josué, o livro seguinte do Antigo Testamento, a Arca possibilita que os israelitas conquistem a Terra Prometida. Os acontecimentos cobrem o período logo após os quarenta anos no deserto quando os israelitas vão para o norte até chegarem a Canaã. De acordo com Josué, a Arca foi usada para, como um milagre, dividir as águas do Rio Jordão para que o exército dos 40.000 israelitas pudesse atravessá-lo e chegar a Canaã para começar sua conquista da região. Na época, muitas tribos ocuparam a área, que formava um tipo de terra de ninguém entre o império dos egípcios ao sul e o império dos hititas ao norte.

O livro de Josué se refere a essas tribos — como por exemplo os Amorreus, os Perizitas e os Jebuseus — ocupando fortes que chamam de cidades, embora a arqueologia mostre que essas cidades eram na verdade assentamentos fortificados de onde os ocupantes eram capazes de controlar pequenas áreas de terra fértil em uma região que, de outra forma, seria considerada inabitável. A primeira cidade a ser conquistada foi Jericó, a cerca de vinte quilômetros ao nordeste de Jerusalém. Ali a Arca foi usada com resultados devastadores para derrubar os muros impregnáveis de Jericó. Diversas vezes, a Arca é usada como uma arma para destruir exércitos inimigos, não apenas das tribos locais menores, mas também dos poderosos hititas que ocuparam o norte de Canaã.

Tendo sua origem a partir do que hoje conhecemos como a Turquia, os hititas eram a força militar mais sólida no mundo com exceção dos egípcios. A vitória final dos israelitas narrada no livro de Josué aconteceu em Hazor, no extremo norte do que hoje conhecemos como Israel, onde carruagens foram reduzidas a cinzas e os exércitos unificados de uma aliança de tribos foram totalmente aniquilados. Depois disso, a cidade de Hazor foi completamente destruída e reduzida a pedras.



Não sabemos com exatidão como a Arca derrotou esses povos, mas fica claro que seu poder era algo catastrófico. De acordo com Josué, Deus ordenou que os israelitas ficassem pelo menos a dois mil cúbitos longe dela quando estivesse sendo usada como uma arma. Nas medições modernas isso é equivalente a quase um quilômetros de distância — ou muito mais que oitocentos metros.

O livro seguinte do Antigo Testamento é o livro dos Juízes, que ganhou esse nome em homenagem a uma série de líderes israelitas que são referidos como juízes. Ele cobre um período de cerca de dez gerações, no qual as doze tribos de Israel levaram uma existência precária em Canaã, cercados por vários povos hostis. De acordo com o livro dos Juízes, durante esse tempo a Arca ficou guardada em um templo na cidade de Mizpeh, um território ocupado pela tribo de Judá no sul de Canaã. Há somente uma referência dela sendo usada durante esse período, mais uma vez como uma arma, mas agora em um conflito civil contra a tribo israelita de Benjamin.

A Arca é, depois, mencionada nos dois livros de Samuel, que ganharam esse nome do profeta Samuel, o porta-voz escolhido de Deus que une as tribos em disputa sob uma única monarquia.

O primeiro livro descreve como Deus falou com Samuel por meio da Arca — que estava guardada no templo em Shiloh, a cerca de trinta e dois quilômetros ao norte de Jerusalém — e o nomeou o profeta líder dos israelitas. Nessa época, o principal inimigo dos israelitas eram os filisteus, cujo reino da Filistéia vivia às margens do Mediterrâneo ao redor do que hoje conhecemos como Gaza. De acordo com Samuel 1, a Arca fracassou ao operar contra os filisteus porque Deus estava aparentemente insatisfeito com as brigas internas dos israelitas. A batalha foi perdida, e os filisteus tomaram posse da Arca e a levaram de volta para sua cidade capital Ashod. No entanto, quando ela foi colocada no templo de seu deus Dagon, o poder da Arca foi liberado, destruindo o templo e lançando sobre o povo da cidade uma praga de furúnculos que matou centenas de pessoas.


Dagon: era um deus venerado pelos filisteus (ou povo de Canaã) com o nome de Dagon. Casado com Shala (um outro nome de Ninlil), este deus fazia com que as plantas crescessem e julgava aqueles que morriam, reinando no mundo subterrâneo.
O seu nome pode provir de dag, peixe. Assim, ele é representado como um ser que é metade peixe e metade homem. O facto de em fenício e hebraico a palavra para milho seja dagan, além de outros indícios, permite a alguns estudiosos supor que este deus tenha sido o chefe do panteão, tendo inventado o cultivo do milho e do arado.

Ao ver o que a Arca era capaz de fazer, os filisteus decidiram tentar usá-la em seu favor como arma contra forças rebeldes em sua cidade de Ekton. Entretanto, embora a força poderosa da Arca tivesse sido liberada, estava fora de controle e matou não somente os rebeldes, mas também os filisteus. Aterrorizados pelo poder da Arca, o rei filisteu ordenou que ela fosse devolvida aos israelitas, e assim ela foi deixada em Beth Shemesh, uma cidade na terra ocupada pela tribo de Judá. Sem saber do perigo, alguns curiosos locais decidiram abri-la, causando a morte de mais de 50 mil pessoas. Um grupo de sacerdotes levitas então foi buscar a relíquia sagrada que foi levada para Kirjath Jearim, uma outra cidade no território da Judéia.

Ali ela foi mantida em segredo por vinte anos, na casa de um homem santo chamado Eleazar no topo da montanha, enquanto Samuel tentava unificar os israelitas. No final das contas, Samuel nomeou um guerreiro chamado Saul como o primeiro rei do Reino Unido de Israel, e a Arca foi tirada de seu esconderijo e levada para a cidade da Judéia de Gibeah. De acordo com Samuel 2, após a morte de Saul, Samuel proclamou o neto de Saul, Davi, rei em Hebrom no sul de Israel, ao passo que o filho de Saul, Eshbaal, se auto declarou rei na cidade de Mahanaim no norte do país. As duas forças rivais dos reis entraram em batalha na fronteira entre as duas cidades, em um lugar descrito como o tanque de Gibeom, e ali, o exército de Eshbaal foi totalmente
derrotado.

Agora que Israel estava outra vez unido, em sua posição de rei incontestável, Davi foi capaz de dominar os filisteus. Não temos informações para saber se Davi usou ou não a Arca durante a guerra civil ou contra os filisteus, mas depois que os conflitos terminaram, uma celebração de vitória com danças e banquetes aconteceu diante dela. Durante as festividades, um homem chamado Uzzah, tentou firmar a arca quando ela caía, e morreu instantaneamente. Depois disso, por questão de segurança, Davi ordenou que a Arca fosse mantida na casa do sacerdote levita Obed-Edom, onde ficou por três meses. Uma última fortaleza ainda foi ocupada por forças estrangeiras, bem no meio do território de domínio israelita — a cidade dos Jebuseus de Jerusalém. Ela era, porém, bem protegida por muralhas muito imponentes.

Nessa ocasião, usar o poder da Arca não era uma opção, porque Davi queria dominar a cidade sem causar-lhe dano algum. Contudo, com grande sorte e discrição, os israelitas conseguiram conquistar a cidade, que Davi proclamou como a nova capital de Israel. A Arca foi levada para a cidade como demonstração de triunfo. No Monte Sião, mais tarde chamado de Monte do Templo, Davi ergueu um tabernáculo, ou tenda sagrada, para abrigar a Arca, e a terra foi consagrada. Ali, Deus falou com Davi e disse que ele deveria construir um templo permanente para a Arca, mas a tarefa acabou ficando para seu filho e sucessor Salomão executar.

Depois dos livros de Samuel, temos os dois livros dos Reis. São assim chamados porque tratam da sucessão dos reis hebreus do filho de Davi, Salomão, até sua eventual destruição pelos babilônios. O segundo livro dos Reis não menciona a Arca, mas Reis 1 descreve como Salomão construiu o Templo que tinha o único intuito de abrigá-la. Quando o Sagrado dos Sagrados do Templo foi colocado lá, Salomão ordenou que fosse aberta, e dentro encontrou as duas tábuas de pedra que traziam gravados os Dez Mandamentos. Uma nuvem miraculosa encheu o templo e algo descrito como “a glória do Senhor” — aparentemente o fogo divino — surgiu em cima da Arca.

Os demais livros do Antigo Testamento nos falam muito pouco a respeito da Arca, contando novamente o que já havia sido descrito. Como não há outras menções do artefato ter sido usado como arma ou para a comunicação com Deus, a inferência geral entre estudiosos bíblicos é de que seu poder foi perdido quando os israelitas desagradaram a Deus ao dividirem-se em dois reinos separados após a morte de Salomão: a tribo de Judá no sul e as outras tribos (que ainda chamavam seu reino de Israel) no norte. Tudo o que podemos de fato concluir a partir do Antigo Testamento é que, após a construção do Templo por Salomão, a Arca permaneceu intocada no Sagrado dos Sagrados por um período de tempo não especificado.

Enquanto a luz do dia se dissipava do lado de fora das janelas da Biblioteca Nacional, percebi que não tinha como saber se os antigos israelitas de fato haviam conquistado aquilo que o filme de Spielberg, Indiana Jones, chama de ”um rádio para falar com Deus” ou se eles tinham criado algum tipo de arma futurista de destruição em massa. No entanto, eu podia ao menos tentar determinar a possibilidade histórica da chance mais provável — em outras palavras, que os antigos israelitas criaram um esplêndido baú dourado como um altar portátil para Deus, o Templo de Jerusalém foi construído para abrigá-lo, e com o passar dos anos, mitos e lendas surgiram com respeito ao seu poder professado. A primeira coisa que tinha que fazer era descobrir a precisão do Antigo Testamento como um texto histórico.

Se os relatos por ele apresentados acerca dos tempos dos israelitas não correspondessem com os fatos conhecidos da história ou com evidências arqueológicas, haveria então razões insuficientes para dar crédito demais à sua história da Arca sagrada. No século VI a.C, diversas culturas não hebraicas — babilônios, persas, gregos e romanos — registraram o que se passava na região conhecida antes como Canaã.

No entanto, antes desse tempo, quase não há menções a respeito dos israelitas feitas por estrangeiros, como os egípcios, ou os hititas, e praticamente todos os registros históricos dos próprios judeus foram destruídos pelos romanos após a Revolta dos Judeus em 66 d.C. Na verdade, o Antigo Testamento é a única história pré-romana dos antigos israelitas que sobreviveu. Embora seu objetivo seja o de explicar as origens dos israelitas, e traçar sua história por um período de mais de mil anos antes dos tempos romanos, a narrativa também está repleta de anotações religiosas que não são, em sua natureza, nada objetivas.

Não é preciso dizer que ela também apresenta inúmeros relatos de episódios miraculosos que dificilmente parecem ser dignos de credibilidade para as “mentes modernas”. Talvez a questão mais importante para citarmos dos livros do Tanak hebraico que constituem o Antigo Testamento seja: quando e por quem foram escritos? Como muitos deles receberam seus nomes em homenagem a figuras religiosas de líderes históricos, a impressão do leitor é a de que foram compilados por testemunhas oculares dos acontecimentos de muitos séculos.

Tradicionalmente, os primeiros cinco livros foram escritos pelo próprio Moisés e o restante por uma variedade de escribas e profetas hebreus. No entanto, embora muitos dos livros do Antigo Testamento se refiram a muitos séculos, a maioria dos estudiosos bíblicos hoje acredita que não foram escritos em sua forma atual até o século VI a.C. — meio milênio depois que dizem que a Arca foi colocada no Templo de Jerusalém.

Estudos comparativos de outras civilizações antigas sugerem que muitos episódios no Antigo Testamento não poderiam ter sido escritos durante o período em que os eventos aconteceram, porque o texto contém anacronismos. Por volta de 1970, por exemplo, o arqueólogo e acadêmico Donald Redford chamou nossa atenção para inúmeros termos e referências egípcios encontrados ao longo de todo o Antigo Testamento que não existiram até 650 a.C.

Há muitos deles, por exemplo, na história de Jacó e sua família se estabelecendo no Egito, que pode ter acontecido por volta dos anos de 1800 a 1700 a.C. De acordo com Gênesis 37:25, José e seus irmãos encontraram comerciantes, “que vinham de Gileade; e seus camelos traziam especiarias e bálsamo e mirra, e iam levá-los ao Egito.” Os egípcios desenharam todos os tipos de animais em sua arte, mas em nenhum momento mostram camelos sendo usados como meio de transporte até a metade do século VII a.C; em vez disso, mostram jumentos sendo utilizados para transportar mercadorias.

A referência literária mais antiga de camelos domesticados vem dos árabes por volta de 850 a.C, e somente dois séculos depois, os egípcios registram seu uso. Outros anacronismos existem. Dinheiro na forma de moedas aparece repetidas vezes, embora a forma mais antiga conhecida de cunhagem fora a usada pelos lídios, do que hoje conhecemos como Turquia, por volta de 650 a.C. Em termos lingüísticos também, muitos dos textos do Antigo Testamento mostram evidências de terem sido compostos muito depois dos acontecimentos que retratam. Na verdade, nenhum deles poderia ter sido escrito em sua forma atual até pelo menos no século XI a.C. por não existir a escrita hebraica antes desse período.

Diante de tantas evidências, a maioria dos historiadores de hoje consideram os livros do Antigo Testamento como tendo sido escritos em algum momento entre os anos de 650 e 500 a.C. por uma variedade de estudiosos judeus. Embora possam ter existido relatos mais antigos, escritos e orais, de onde esses textos foram transcritos, na forma que são apresentados hoje, não são considerados um registro historicamente exato dos primeiros israelitas.

Além do mais, da forma como foram escritos para fins religiosos, algumas pessoas chegaram a sugerir que os manuscritos do Tanak eram parábolas, e jamais tiveram a intenção de ser lidos como registros de acontecimentos reais. De fato, considerando os episódios miraculosos que o Antigo Testamento nos oferece, o cético pode ser perdoado por achar que toda a narrativa não é mais histórica do que as mitologias da Grécia ou de Roma antigas.

Milagres à parte, até mesmo os episódios puramente práticos e militares parecem muito pouco prováveis: dificilmente parece ser possível acreditarmos que uma aliança fraca de tribos hebraicas de nômades possa ter conquistado a terra de Canaã, como a Bíblia afirma. Surpreendentemente, porém, a arqueologia moderna nos mostra que uma série de grandes batalhas no relato do Antigo Testamento da conquista israelita de Canaã foram, na verdade, acontecimentos históricos. De acordo com a Bíblia, a conquista de Canaã começou com a queda de Jericó e seu domínio efetivado por Josué.

Embora a história da queda miraculosa dos muros da cidade possa ter sido um exagero de acontecimento, há evidências arqueológicas e científicas consideráveis de que Jericó foi destruída por invasores estrangeiros na época e muito provavelmente da forma como a Bíblia descreve. Em 1952, a arqueóloga inglesa Kathleen Kenyon escavou uma fortaleza da Era do Bronze em Tell-es-Sultan próximo ao Mar Morto, que acreditam ser o local da antiga Jericó.

Ela concluiu que, por volta de 1900 a.C, a cidade era um lugar cercado por muralhas e próspero, exatamente como a Bíblia descreve, até que foi destruída por um incêndio em torno de 1500 a.C. De maneira impressionantemente, os muros da cidade de fato pareciam ter sido derrubados por algum tipo de catástrofe desconhecida. Embora Kenyon tenha concluído que a causa foi provavelmente um terremoto, o acontecimento pode ter sido algo casual para os israelitas que inspirou uma lenda posterior do poder da Arca. Até muito pouco tempo, apenas alguns arqueólogos viam as descobertas de Kenyon como provas da destruição da cidade por Josué e os israelitas, como a narrativa do Antigo Testamento parece datar a invasão de Canaã ao menos dois séculos mais tarde do que ela imaginou a carnificina ter acontecido.

Entretanto, em 1996 testes com radiocarbono, no Centro para Pesquisas com Isótopos na Universidade de Groningen, na Holanda, determinaram uma data ainda mais avançada para a destruição da cidade. Seis amostras individuais de grãos antigos de cereais encontrados na camada queimada da escavação do forte foram testadas, oferecendo uma data central confiável de cerca de 1320 a.C, o que se encaixou bem dentro do período que a Bíblia parece contar a tomada da cidade por Josué.



Esse, porém, não é o único relato bíblico de uma batalha da campanha de Canaã dos israelitas sustentado pela arqueologia. De acordo com o Antigo Testamento, após a conquista de Jericó, seguiu-se uma série de batalhas nas quais, uma a uma, as cidades de Canaã foram dominadas pelos israelitas, pondo fim aos ataques da cidade de Hazor, durante os quais seus habitantes pagãos foram impiedosamente chacinados pelas tropas de Josué:

E a todos os que nela estavam, feriram ao fio da espada, e totalmente os destruíram; nada restou do que tinha fôlego, e a Hazor queimou a fogo. (Jo 11:11) Esse estágio final da conquista de Canaã de Josué, como está descrita na Bíblia, não foi apenas verificado, mas também confirmado na década de 1.950. Iniciado em 1955, o arqueólogo israelense Yigael Yadin começou a escavar o local da antiga Hazor, atual Tell-el-Qedah, a cerca de quinze quilômetros ao norte do Mar da Galiléia. Ali Yadin descobriu os restos de um enorme palácio fortificado que fora destruído por um incêndio em algum momento próximo ao ano de 1300 a.C. O cálculo da data foi possível ser estimado por meio de pedaços quebrados de objetos de cerâmica messênia (Grécia antiga) encontrados sob o nível de destruição.

Essas cerâmicas eram populares em todo o Oriente Próximo durante o século XIII a.C, mas deixaram de ser importados para Canaã no século XII. A destruição da cidade, quase que certamente, fora obra de um inimigo, e não um mero acidente, porque estátuas e decorações usadas em templos tinham sido desfiguradas de forma deliberada. Assim como a camada logo acima dessa mostrava uma combinação dos restos de lareiras, alicerces de barracos e pisos de cabanas com uma característica de cerâmicas usadas em desertos, arqueólogos concluíram que a cidade foi ocupada por habitantes que residiam em barracas — um povo classificado como nômade — após sua destruição. Parte da área foi novamente reconstruída como uma cidade forte no século X a.C, e artefatos distintivos, como colares de contas, mostram que esse era o trabalho dos israelitas.

Yadin estava satisfeito por suas descobertas em Hazor confirmarem a descrição bíblica da conquista de Josué de várias maneiras. Os conquistadores arrasaram a cidade exatamente como a Bíblia conta, tentaram destruir as práticas rituais dos cananeus como sabemos que Deus incumbiu os israelitas de fazer, e eram um povo nômade assim como os israelitas tinham sido. O Dr. Yadin tinha certeza de que os israelitas ocupavam a região desde O período do incêndio, mas não tiveram o poder e a motivação para reconstruir a cidade até a criação do reino unificado após o tempo de Davi. Fica claro então, com base em evidências arqueológicas, que os israelitas de fato conquistaram Canaã da mesma forma que a Bíblia relata, em algum tempo durante o final do século XIV ou início do século XIII a.C.

Mas, e quanto ao período que disseram que as tribos dos hebreus foram unidas formando o reino de Israel sob a liderança de Davi, por volta de 995 a.C? Por existirem tão poucos textos históricos conhecidos de povos não hebreus que mencionam o reino de Israel nessa época, e por não haver referências contemporâneas ao Rei Davi, muitos estudiosos duvidam da existência de ambos. Talvez Davi e o reino unificado de Israel tenham sido apenas lendas de uma era de ouro imaginária que os israelitas jamais chegaram a viver. David Deissmann, porém, garantiu-me que podia mostrar provas físicas capazes de assegurar que as campanhas do Rei Davi de fato aconteceram.

A partir de minha própria pesquisa acerca da história da Arca, descobri que quando Saul morreu, seu filho Eshbaal tornou-se o rei na capital de Mahanaim no norte de Israel. Entretanto, a poderosa tribo de Judá ungiu Davi o rei na cidade de Hebrom no sul do país. O exército de Davi, liderado por seu comandante Joabe, marchou para o norte e se deparou com as forças de Eshbaal, lideradas por seu comandante Abner, na fronteira das duas capitais.

O local onde os dois exércitos se encontraram é descrito como o tanque de Gibeom. Os dois líderes, a princípio, aceitaram fazer uma reunião e, junto com seus oficiais, encontraram-se “perto do tanque de Gibeom; e pararam estes deste lado do tanque, e os outros do outro lado do tanque” (2 Sm 2:13). No entanto, a conferência terminou em desentendimento e uma batalha seguiu-se: “E seguiu-se naquele dia uma crua peleja; porém Abner e os
homens de Israel foram feridos diante dos servos de Deus” (2 Sm 2:17).


O tanque de Gibeom

Embora a guerra tenha continuado por algum tempo, a morte de Abner e a derrota de seu exército, no fim das contas, resultou na queda da dinastia de Saul, e Eshbaal foi assassinado por dois de seus oficiais. Com a morte de Eshbaal, Davi foi aceito como rei de toda a Israel. Conseqüentemente, o tanque de Gibeom é o local onde dizem que o destino de Israel foi decidido. Se o relato for verdadeiro, o tanque é um dos lugares militares mais importantes no Oriente Médio bíblico.

Com base na descrição do livro 2 de Samuel, o tanque de Gibeom estava situado onde o vilarejo árabe de el-Jib hoje existente, a aproximadamente doze quilômetros ao norte de Jerusalém. No entanto, por muitos anos, historiadores duvidaram da história por não haver provas de que o lugar tivesse de fato sido chamado de Gibeom; por sua vez, os arqueólogos duvidavam do relato porque pesquisas geológicas indicavam que não poderia ter existido um lago ou tanque na área, de tamanho suficiente para ser notado como um ponto de referência proeminente.

Foi assim até o ano de 1950, quando o local foi escavado pelo arqueólogo americano James Pritchard. Ele impressionou todos os críticos quando descobriu o que podia muito bem ter sido descrito como um tanque — uma enorme fossa de água com pedras enterradas, medindo cerca de doze metros de diâmetro e onze metros de profundidade. Era, na verdade, parte de um sistema elaborado para fornecer água a um vinhedo próximo. Ela tinha uma escadaria espiral de pedras que levava ao fundo, onde um túnel ainda descia por mais quinze metros, chegando a um reservatório natural que ficava trinta metros abaixo da superfície. Além disso, testes de radiocarbono realizados depois em depósitos orgânicos encontrados durante as escavações das adegas adjacentes dataram o local como do início do ano 1000 a.C, o tempo do Rei Davi.


Escavado por James Pritchard entre 1956-62, Gibeão tem restos significativos, especialmente desde os dias dos israelitas. Impressionante entre estes achados são as 63 adegas do século VIII a.C. Estas caves estavam cheias de vasilhas em forma de enormes ânforas a cerca de 6 metros de profundidade e com 6 metros de diâmetro na parte inferior. Estima-se que 19.000 galões de vinho poderiam ter sido armazenados em 9 jarros nestas caves.

Aquela fundação que podia ser descrita como um tanque — e datada do mesmo período com precisão — encontrada no local, convenceu alguns estudiosos bíblicos da historicidade do relato do Antigo Testamento. No entanto, céticos ainda duvidavam de que a descoberta era digna de crédito para a história, por não haver evidências de que o local fora um dia chamado de Gibeom.
No dia seguinte de minha visita à Biblioteca Nacional, David Deissmann me levou ao Museu Nacional de Israel, que também está localizado no Vale da Cruz. Ali, ele me mostrou o que parecia ser uma peça de cerâmica sem importância guardada em um armário de vidro, exposta junto a outros artefatos de cerâmica de aspecto pouco impressionante. Ele explicou que o item havia sido encontrado durante uma escavação posterior na área da fossa e que ela revelava o nome antigo do lugar.

Era um simples jarro de argila com um cabo, no qual podíamos ler as palavras hebraicas “Vinhedo de Gibeom.” ”Para um arqueólogo, encontrar o nome de um lugar antigo no próprio lugar, é algo bom demais para ser verdade,” David explicou. “A princípio, o arqueólogo que a achou, foi acusado de falsidade. Mais tarde, porém, nada menos que cinqüenta e seis desses jarros, gravados com as mesmas palavras, foram escavados. O tanque de Gibeom fora enterrado há séculos antes do texto de Samuel ser escrito, portanto ele deve ter sido composto com base em um relato muito mais antigo. Fortes evidências, na minha opinião, de que a batalha foi um acontecimento histórico, e não apenas algo lendário.” David tinha ainda uma outra prova para sustentar a historicidade do relato do Antigo Testamento da campanha do Rei Davi.

Saímos do museu e pegamos um táxi que nos levou de volta a Jerusalém, onde David me conduziu até o Vale Kidron — ao pé da Montanha Ophel, na ala sudoeste da Cidade Velha. Ali, na escarpa empoeirada, havia um pequenino santuário de pedras onde turistas ansiosos formavam uma fila. A estrutura era a entrada de uma caverna que continha um tanque subterrâneo, conhecido pelos judeus como a Fonte de Gihon, e pelos cristãos como a Fonte da Virgem porque uma antiga lenda cristã dizia que a Virgem Maria lavava as roupas do menino Jesus naquele lugar. Enquanto esperávamos nossa vez para entrar, David me contou a história do Antigo Testamento da tomada de Jerusalém do Rei Davi.

De acordo com o relato que aparece tanto no livro 2 de Samuel quanto no livro 1 das Crônicas, quando Davi tornou-se rei, a fortaleza dos Jebuseus de Jerusalém ainda existia, bem no meio do território controlado pelos israelitas. Como disse antes, Davi estava determinado a conquistá-la e torná-la a capital de Israel porque se tratava de um forte fácil de ser defendido e uma cidade próspera. De acordo com o relato, Davi descobriu um método secreto de entrar na cidade murada — por meio de uma fossa de água ou um canal subterrâneo que os Jebuseus tinham cavado de dentro de sua cidade até uma fonte do lado de fora das muralhas de defesa. Davi ofereceu uma grande recompensa para quaisquer homens que conseguissem subir por essa fossa e conduzir um ataque contra os defensores Jebuseus pelo lado de dentro.

Foi assim que, de acordo com o livro 2 de Samuel 5:6-8, a cidade foi dominada. ”Esse é um outro episódio na história bíblica do estabelecimento do reino de Israel que era antes considerado irreal,” disse David. Assim que entramos no santuário, passamos por uma passagem estreita em uma pedra que nos levava até uma fonte de água limpa. David apontou para uma fenda na cobertura da pequena caverna, ao redor da qual estalactites de algas verdes penduravam-se como decorações natalinas. Ele explicou que em 1876, o engenheiro inglês Charles Warren visitou a fonte e observou o buraco que levava a um lugar escuro.

Como era um espaço grande o suficiente para que um homem pudesse escalar, decidiu investigar. Voltou no dia seguinte com seus instrumentos de escalada e subiu pela fenda. Demorou muito tempo para que conseguisse subir e passar pela base de uma fossa de doze metros vertical, em lugares muito estreitos onde mal conseguia se esticar, que no final abria-se levando a uma passagem inclinada que ainda se erguia por mais trinta metros.

Finalmente, conseguiu passar por uma fenda estreita que o fez voltar à luz do dia ao fundo de uma fossa de cinco metros apoiada por uma linha de tijolos, coberta por vegetação e esquecida, na metade da montanha acima da fonte. Imediatamente, sua descoberta causou uma sensação entre estudiosos bíblicos da atualidade. Seria esse o canal que as tropas de Davi usaram para dominar a cidade?

Existiam poucas dúvidas de que alguns habitantes da antiguidade tivessem se esforçado com tanta consideração para cavar um espaço através de uma rocha sólida para ligar uma fossa às águas da fonte no fundo da montanha. No entanto, havia uma falha séria nessa teoria, da maneira como era apresentada. As paredes da antiga Jerusalém erguiam-se a mais de trinta metros acima do topo da colina. A fossa teria sido inútil para o Rei Davi, ao que parecia, porque não teria como fazer com que seus homens entrassem na cidade.

Conclusão das escavações na Montanha Ophel em 2012.



No entanto, em 1961 a arqueóloga inglesa Kathleen Kenyon foi a primeira a escavar, de maneira adequada, as ruínas dos muros no cume da montanha. Para sua surpresa, descobriu que datavam somente do período próximo ao ano de 600 a.C. e foram, provavelmente, construídos com o intuito de defender a cidade contra os babilônios. Determinada a descobrir o curso das muralhas originais, Kenyon escavou em vários lugares ao longo da montanha Ophel. A princípio, descobriu as fundações de um muro com cerca de vinte metros abaixo da escarpa que fora construído por volta de 850 a.C, possivelmente para defender a cidade contra os sírios. Por fim, a trinta metros além da montanha, ela escavou as fundações de um muro espesso que era datado do século XI a.C. Ela concluiu que havia descoberto o curso do muro ocidental da cidade dos Jebuseus. Por incrível que pareça, ele ficava vinte metros abaixo da entrada da fossa, mas acima da Fonte Gihon.

Isso fez com que ela escavasse a fossa de tijolos que levava à passagem do canal. Ele era, Kenyon descobriu, da mesma época do muro da cidade dos Jebuseus. ”A fossa existiu exatamente como o relato de Samuel descreve. O fato de que ela não levava as pessoas para dentro dos muros da cidade depois do século IX, quando as novas paredes foram erguidas, significa que a história deve ter se passado na mesma época, ou próximo dela. Evidências bastante convincentes de que a história é verdadeira,” David concluiu. Eu estava satisfeito por saber que não havia razões sérias que me fizessem duvidar de que a conquista israelita de Canaã e o estabelecimento do reino de Israel pelo Rei Davi ocorreram basicamente como o Antigo Testamento descreveu. Entretanto, seria a Arca da Aliança um fato de igual teor histórico?

Independentemente de ela conter e/ou possuir poderes miraculosos, teriam os antigos israelitas de fato construído um artefato de ouro tão esplêndido que acreditavam conter o poder de Deus? Infelizmente, não havia evidências históricas e arqueológicas da mesma época da conquista israelita de Canaã capaz de nos fazer compreender o enigma de alguma forma. Precisei buscar respostas em um passado remoto — no tempo quando imaginamos que a Arca foi construída. Havia qualquer evidência histórica do tempo em que diziam que Moisés viveu para provar que a Arca foi um artefato histórico?

Continua …

Parte I em: http://thoth3126.com.br/os-cavaleiros-templarios-e-a-arca-da-alianca-parte-1/

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